Vale do lítio e terras raras: a nova fronteira da mineração em Minas Gerais
Regiões importantes de Minas se destacam em grandes projetos de minerais críticos e terras raras; Sul de Minas entra no radar global da mineração

O mapa da mineração em Minas Gerais começa a se expandir para além das regiões tradicionalmente conhecidas pela atividade. Com novos projetos de minerais críticos e terras raras, o Sul de Minas entra no radar do setor e ganha espaço entre as áreas com potencial para receber investimentos.
Tradicionalmente minerador, o estado tem regiões que se destacam no Brasil e no mundo pelo volume de minério extraído. O Quadrilátero Ferrífero, por exemplo, já representa 60% da produção nacional de minério.
A região é composta por cidades mineradoras como Itabira, Itabirito, Mariana, Brumadinho e Congonhas. Outras cidades também ganham destaque com grandes projetos de mineração no Norte de Minas, como Grão Mogol. Porém, essa realidade está mudando.
O investimento em minerais críticos e terras raras está levando a atividade para áreas que antes não tinham esse perfil, dando nova tração à economia do estado. O Jequitinhonha já é conhecido como polo nacional do lítio, enquanto as terras raras colocam o Sul de Minas no radar global da mineração.
Karla Franco, gerente de sustentabilidade de uma mineradora em Poços de Caldas, explica essa característica geológica da região.
“Há 80 milhões de anos, a gente tinha um vulcão que expeliu o magma aqui em Poços de Caldas e nas cidades do entorno e formou essa cratera que a gente chama de Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. Esse magma virou uma rocha, e o nosso clima tropical foi quebrando essa rocha em vários pedacinhos, com chuva, sol, vento, e aí virou uma argila, que hoje é o que a gente chama de argila iônica. Então, essas terras raras estão mais disponíveis para que a gente possa fazer esse processamento e retirar esse material.”

Desafios e potenciais
O ex-presidente da Vale e do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Wilson Brumer, explica que essas descobertas trazem desafios e potencial para cada região.
“De uns anos para cá, se descobriu o lítio na região do Jequitinhonha. Então, criou-se o chamado Vale do Lítio. Mas veio a queda do preço do lítio e muitos dos projetos anunciados acabaram não se concretizando. Bom, um dia vão se concretizar. Então, Minas Gerais tem um enorme desafio e, ao mesmo tempo, um enorme potencial a ser encarado nessa nova discussão.”

O consultor de relações institucionais e econômicas da Associação Brasileira dos Municípios Mineradores do Brasil (AMIG), Waldir Salvador, destaca a importância econômica desse avanço.
“É muito importante que a mineração em Minas Gerais e também no Brasil, mas especificamente no nosso estado, alcance novas regiões. É claro, mineração é uma atividade geológica muito concentrada, o que é pouco saudável. Se a gente for verificar Minas Gerais, que tem algumas centenas de municípios mineradores, muitos dos municípios que de fato sentem beneficamente o saldo positivo da mineração são pouquíssimos, porque a atividade é concentrada em poucos.
Quando chega agora, então, a possibilidade da exploração de terras raras e minerais estratégicos em outras regiões, como o Vale do Jequitinhonha e o Sul de Minas, é vista como uma notícia importante economicamente.”
Salvador, porém, explica que é preciso haver uma ampliação organizada, já que novas cidades passam a sentir impactos que antes não enfrentavam.
“Minas Gerais, que já é um estado minerador, organizadamente há quase 10 décadas, mas, de forma organizada ou não, através do ouro que era tirado de Ouro Preto, Mariana, Santa Bárbara, Barão de Cocais e outras, há dois séculos atrás ou mais, Minas Gerais conhece bem o que é uma mineração bem implantada, bem fiscalizada, bem monitorada ou o contrário.”

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



