Itatiaia

Relatório aponta melhora na capacidade financeira da indústria, mas destaca desafios

Elevada carga tributária, custo de insumos e taxas de juros estão entre os principais obstáculos ao desenvolvimento dos negócios

Por
Indústria sustenta recuperação
Indústria registra melhora na condição financeira, mas ainda enfrenta desafios como juros elevados e carga tributária • Daniel Costa/CNI

A indústria nacional registrou, em junho, desafios relacionados principalmente à elevada carga tributária, ao custo dos insumos e às taxas de juros, apontados como os obstáculos mais críticos para o desenvolvimento dos negócios. É o que mostra a Sondagem Industrial, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Apesar das dificuldades, houve melhora na condição financeira das empresas, na utilização da capacidade instalada e um reequilíbrio dos estoques aos níveis planejados.

A atividade industrial seguiu em queda. O índice de evolução da produção registrou 48,4 pontos, o pior resultado para meses de junho desde 2022. O emprego também permaneceu em retração, com o índice de evolução do número de empregados em 48,2 pontos. Como os dois indicadores ficaram abaixo da linha divisória de 50 pontos, os resultados sinalizam redução em relação ao mês anterior.

Na contramão da queda da produção, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) avançou para 70%, acumulando alta de 4 pontos percentuais no primeiro semestre de 2026. Já o nível de estoques de produtos finais caiu ligeiramente e atingiu 50 pontos no índice de estoque efetivo-planejado. De acordo com a sondagem, o resultado indica que, pela primeira vez no ano, os estoques da indústria retornaram ao patamar planejado pelas empresas.

Principais problemas

O ranking dos principais problemas enfrentados pelos empresários permaneceu estável no segundo trimestre. A elevada carga tributária foi apontada por 33,3% das empresas, seguida pela falta ou pelo alto custo de matéria-prima, citados por 31,2%. As taxas de juros elevadas apareceram em terceiro lugar, com 27,9% das respostas, enquanto a demanda interna insuficiente foi mencionada por 26,6%.

Também houve aumento na percepção de problemas relacionados à inadimplência dos clientes, que passou de 11,9% para 13,2%, e à competição com produtos importados, que subiu de 10,7% para 12,6%.

Condições financeiras e expectativas

Embora os índices de satisfação com a situação financeira (47,9 pontos) e de lucro operacional (42,9 pontos) tenham avançado, ambos permanecem abaixo da linha de 50 pontos. O resultado reflete uma insatisfação contínua, ainda que menos intensa do que no trimestre anterior. O acesso ao crédito também continua sendo considerado difícil, com 39,9 pontos. Já a pressão dos preços das matérias-primas apresentou leve redução, passando de 66,1 para 64,1 pontos.

As perspectivas para os próximos seis meses se tornaram mais otimistas. O índice de expectativa de exportações subiu para 51,0 pontos, indicando que os empresários voltaram a projetar crescimento nas vendas externas. Também aumentou a projeção de demanda por produtos, que chegou a 53,3 pontos, e de compra de matérias-primas, com 52,4 pontos.

O índice de expectativa para o número de empregados recuou para 50,1 pontos, sugerindo tendência de manutenção do quadro de funcionários. A intenção de investimentos registrou a segunda queda consecutiva e passou para 53,2 pontos. Apesar do recuo, a propensão a investir permanece acima da média histórica, de 52,6 pontos.

Por

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), atualmente mestranda em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já atuou na Band Minas e na TV Alterosa.

 

 

Belo Horizonte