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Reforma Tributária altera a carga de impostos de forma diferente para cada setor da indústria

Enquanto alimentos da cesta básica terão redução na carga tributária, bebidas alcoólicas e cigarros poderão pagar mais impostos

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Indústria de alimentos em Minas cresce, mas vê riscos com cenário externo
Reforma Tributária vai impactar diferentes produtos da indústria • Divulgação / Castelo Alimentos

O impacto da Reforma Tributária será diferente para cada segmento da indústria. De um lado, produtores de alimentos da cesta básica e de medicamentos, por exemplo, terão redução na carga tributária. De outro, fabricantes de bebidas alcoólicas e cigarros poderão pagar mais impostos.

A gerente de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Rita Eliza Costa, explica que alguns setores terão tratamento diferenciado, enquanto a maioria será enquadrada no regime padrão.

“Alguns setores têm tratamentos diferenciados, que não estão nesse tratamento geral. Um exemplo é a cesta básica, que tem um tratamento diferenciado, serviço de educação tem um tratamento diferenciado. Algumas coisas que, de fato, são caras para a sociedade tiveram um olhar cuidadoso. Agora, os outros vão entrar no que a gente pode chamar de tratamento padrão”, esclarece.

Gerente de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Rita Eliza Costa • Anderson Porto | Itatiaia
Gerente de Assuntos Tributários da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Rita Eliza Costa • Anderson Porto | Itatiaia

Segundo ela, esse modelo pode contribuir para tornar o sistema tributário mais justo para os consumidores.

“A gente acaba tendo um sistema mais eficiente, o que chamamos de um sistema menos regressivo. Isso quer dizer que na tributação de consumo, a gente não consegue diferenciar o consumidor na ponta. Então, quando eu vou ao supermercado e compro um sabão em pó, eu pago o mesmo preço que a população de baixa renda paga pelo sabão em pó. Proporcionalmente, a população de baixa renda tem uma carga tributária no consumo maior do que a minha”, afirma.

O presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados de Minas Gerais (Sinduscarne), Pedro Braga, avalia que a reforma pode trazer alívio para parte do setor.

“Essa reforma vem trazer um pouco de alívio para a indústria, que era muito sobrecarregada, em detrimento de outras áreas, principalmente o serviço, que tinha uma baixa alíquota. Dentro da indústria, especificamente do setor da carne, nós tivemos a carne in natura, que foi colocada dentro da cesta básica. Então, frango, porco, boi, ela entra com uma alíquota zero, que isso é positivo. Isso chega para o consumidor lá na frente com um preço menor. Mas todo mundo que agrega valor a essa carne in natura, então os industrializados, embutidos, bacon, presuntaria, quem está agregando valor, empregando mão de obra, trazendo mais qualidade para esse produto, vai entrar na alíquota cheia”, diz.

Presidente do Sindicato das Indústrias de Carne, Derivados e Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) e diretor da Tropeira Alimentos, Pedro Braga • Anderson Porto | Itatiaia
Presidente do Sindicato das Indústrias de Carne, Derivados e Frios de Minas Gerais (Sinduscarne) e diretor da Tropeira Alimentos, Pedro Braga • Anderson Porto | Itatiaia

Carga tributária

O CEO de uma empresa de esquadrias de alumínio da Grande BH, Flávio Guimarães, afirma que o setor deverá enfrentar aumento da carga tributária.

“Vai acontecer um aumento da minha carga tributária, e dos meus concorrentes, e, com certeza, vai aumentar o custo da construção da construtora para me contratar. Então, a esquadria de alumínio vai ficar mais cara para o construtor, assim como o elevador, o concreto e o aço. Será que o apartamento também não vai ficar mais caro para o consumidor final?”, questiona.

Flávio Guimarães, CEO de uma empresa de esquadrias de alumínio da Grande BH • Anderson Porto | Itatiaia
Flávio Guimarães, CEO de uma empresa de esquadrias de alumínio da Grande BH • Anderson Porto | Itatiaia

Já o presidente da fabricante de eletrodomésticos Suggar, Leandro Costa, afirma que a reforma reduzirá o prazo para o pagamento de alguns tributos, o que pode afetar o fluxo de caixa das empresas.

“Como ponto negativo, eu acho que a indústria vai perdendo o fluxo de caixa, porque hoje a gente tem um prazo de até 30 dias para pagamento de imposto, e com a reforma tributária vamos ter uma redução no prazo de pagamento. No cenário que temos uma taxa de juros tão alta, 30 dias para pagamento de imposto é muito importante”, relata.

Presidente da Suggar, Leandro Costa • Anderson Porto | Itatiaia
Presidente da Suggar, Leandro Costa • Anderson Porto | Itatiaia

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.