Prestes a completar quatro anos de operação em 2026, a parceria público-privada entre o Governo de Minas Gerais e o consórcio Terminais BH promove importantes mudanças no Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro (Tergip), em Belo Horizonte. Inaugurada em 1971, a estrutura recebe aproximadamente 10 milhões de passageiros por ano, que se deslocam para todas as regiões do Brasil.
O contrato de concessão da Rodoviária de BH prevê investimentos na ordem de R$ 122 milhões ao longo de 30 anos, sendo que dos quais R$ 20 milhões já foram empenhados para uma série de melhorias logísticas e estruturais do terminal. O projeto prevê a total requalificação do Tergip, com a reforma dos espaços de convivência dos passageiros e sanitários, recuperação da pavimentação e uma série de outras medidas de modernização.
Em entrevista à Itatiaia, a diretora-executiva da Terminais BH, Vanessa Costa, explica que a maioria das intervenções de recuperação estão previstas no contrato com um prazo de 48 meses, que se encerra em setembro deste ano. Segundo ela, boa parte das obras estão encaminhadas, enquanto os investimentos na estrutura não cessam.
“Nós temos os primeiros investimentos que são obrigatórios, e depois reinvestimentos que estão previstos no contrato da concessão. Mas a gente também percebe outros que precisam ser realizados para a gente atender a demanda do usuário. O terminal é uma edificação muito antiga, então uma vez ou outra a gente se depara com algum tipo de situação que a gente tem que atuar imediatamente”, disse.
Entre as reformas que foram realizadas é possível destacar a requalificação dos banheiros; revisão dos sistemas de escadas rolantes, esteiras e elevadores; disponibilização de internet wi-fi gratuita e tomadas de energia elétrica; requalificação das sinalizações nos terminais de embarque e desembarque; e até a instalação de placas publicitárias que também atuam na divulgação de serviços.
Em termos de infraestrutura, o Tergip passou por reformas no sistema de impermeabilização, que contribui para evitar infiltrações e goteiras, além de recuperações estruturais que evitam outras intercorrências. De acordo com a gestora do terminal, as mudanças já refletem em um leve aumento no fluxo de passageiros, que cresceu aproximadamente 4% na passagem de 2024 para 2025.
Para o futuro, Vanessa Costa destaca que o objetivo é transformar a Rodoviária de BH em um espaço que vai além das idas e vindas de passageiros. Ela cita como exemplo a parceria com o Cine Cardume, que todas as sextas-feiras utiliza o auditório para promover alguma obra cinematográfica.
“A gente quer transformar isso aqui em um espaço onde a pessoa possa vir e ter alguma atividade cultural, prestação de serviços. Queremos que aqui possa ser um local que atende diversas necessidades de quem está no entorno, que precisa resolver alguma demanda”, explicou.
Parceria e fiscalização
No mercado há uma máxima de que concessões e parcerias público-privadas tem sucesso quando são bem regulamentadas e fiscalizadas pelo poder concedente. Nesse caso, Vanessa Costa destaca que a operação do Tergip é fiscalizada quinzenalmente pelo governo do estado, que precisa constatar que as obrigações da concessão estão em dia.
De acordo com a gestora do terminal, a fiscalização do estado é “forte, constante e séria”, sendo benéfica para a própria concessionária. “Muitas vezes a gente encontra pessoas que são contra as concessões e privatizações, por entenderem que o estado ‘largou de mão’. Não funciona assim, o estado fiscaliza para que a concessão funcione no formato que ele desenhou com o objetivo que ele almejou”, disse.
“Eu falo que o estado tem que se preocupar em direcionar o recurso para aquelas áreas que são exclusivamente administradas por ele. As outras áreas que têm a possibilidade de um terceiro administrar, sob a fiscalização do estado, vão funcionar melhor. A gente tem mais agilidade e possibilidades de fazer uma gestão mais rápida, enquanto o estado tem amarras que devem existir mesmo”, completou.