Alta na bolsa não é ‘cenário de festa’ na economia, avaliam especialistas do Inter
Volume baixo de negociações, mesmo com recordes na bolsa brasileira, mostra um cenário desafiador na economia

Os recordes mais recentes da bolsa de valores brasileira, que voltou a valorizar nesta sexta-feira (19), após um pregão de correção na quinta-feira (18), não indicam um cenário de festa na economia brasileira, avaliam especialistas de investimento do banco Inter. Na realidade, o momento é de cautela com os indicadores macroeconômicos.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, ressalta que a taxa de juros alta não favorece o discurso de diversificação nos investimentos, com a alocação de recursos sendo direcionada na renda fixa. “Apesar da bolsa estar batendo recorde, o volume é muito pequeno. Quando a gente olha a locação até dos nossos investidores, a locação em bolsa ainda é muito pequena”, explicou, durante coletiva na sede do banco, em Belo Horizonte.
Na quarta-feira (17), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. Em comunicado, os diretores da autoridade monetária ressaltaram um cenário de incerteza com o mercado de trabalho aquecido e a inflação (5,13%) longe do centro da meta de 3%.
Ibovespa já valorizou 21% no ano, fechando o pregão de sexta com 145.865,11 pontos. Segundo dados da B3, o volume negociado foi de R$ 28,2 bilhões. O dólar também voltou a subir pelo terceiro dia seguido, mas com uma variação pequena de 0,03%, a R$ 5,32.
Rafaela Vitoria destaca que esse momento pode se inverter se o país conseguir corrigir o risco fiscal, e a Selic for ajustada para níveis abaixo de 7% ao ano, com o discurso de diversificação ganhando força. Porém, no momento o interesse do investidor em aplicações de renda variável e ações ainda é muito “tímido”.
“A gente teve nesse período uma busca do investidor por ativos em bolsa, em recomendação de carteira. A gente pode voltar a ver isso em um futuro próximo, mas por hora ainda é muito tímido esse interesse pela bolsa. Ela está batendo recordes, mas com volumes bem baixos”, destacou.
Ruído atrapalha o investidor local
O risco doméstico também está atrapalhando a atratividade dos ativos da bolsa para o brasileiro, com parte importante dos investimentos sendo de investidores estrangeiros. Segundo Matheus Amaral, especialista em renda variável do Inter, o cenário é ruim até para as melhores empresas listadas, que estão com uma avaliação de mercado baixa e ações baratas.
“O cenário não é de festa. Não vemos um IPO, nem follow-on, mesmo com as máximas históricas recentes, e isso é reflexo do cenário doméstico que ainda tem riscos. É muito ruído que atrapalha e o investidor local acompanha mais o mercado do que o investidor estrangeiro”, explicou.
IPO é a sigla em inglês para oferta pública inicial, quando as empresas são listadas na bolsa e passam a ofertar suas primeiras ações no pregão - o último evento ocorreu na B3 em 2021. O “follow-on” ocorre quando a empresa listada passa a ofertar mais ações no mercado.
Inter Invest Summit 2025
Neste sábado (20) o Inter vai realizar o Inter Invest Summit 2025, um evento que vai reunir personalidades do mercado de capitais e os principais especialistas em negócios na Arena MRV, em Belo Horizonte. Com a expectativa de reunir 6 mil pessoas, o evento quer democratizar o ambiente de investimentos.
Para o CEO do Inter no Brasil, Alexandre Riccio, trazer os negócios para a realidade da população está na gênese da instituição. “O Inter veio desde o início com essa proposta de trazer uma oferta mais democrática para o mercado, com rendimentos que na época eram completamente diferentes do que eram oferecidos para o investidor comum nos bancos incumbentes”, disse.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



