Mastercard suspende cartões do Will Bank, instituição do Master, por irregularidades

Operadora de bandeira de cartões de crédito afirma que instituição de pagamento não consegue mais cumprir com suas obrigações

Will Bank foi preservado da liquidação extrajudicial do Master

A Mastercard, uma das principais bandeiras de cartões, confirmou nesta terça-feira (20) que suspendeu o Will Bank da sua rede por irregularidades. A instituição financeira faz parte do conglomerado do Master, e está em Regime de Administração Especial Temporária (Raet) desde que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco do empresário Daniel Vorcaro, em novembro.

Em nota, a Mastercard afirmou que acompanha de perto as operações do Will Bank junto com órgãos reguladores para entender se as regras da rede estavam sendo cumpridas. “Diante de mudanças no atendimento a essas obrigações, e considerando também nossos próprios requisitos regulatórios, suspendemos o uso dos cartões do Will Bank em nossa rede”, disse a empresa.

A Itatiaia procurou o Will Bank para uma manifestação, mas até o momento não houve retorno. O espaço segue aberto para um posicionamento da instituição de pagamento. Desde a manhã desta terça, clientes relatam problemas no uso dos cartões de crédito da empresa.

O Will Bank foi criado em 2017, e faz parte do guarda-chuva do Master desde 2024. A instituição foi preservada da liquidação pelo BC, por considerar o interesse de investidores internacionais na compra da operação. Porém, ainda não há anúncio de interesse de grupos estrangeiros sobre o banco.

O conglomerado do Master e Daniel Vorcaro foram alvo da operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As apurações começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

A investigação resultou na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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