O que acontece com os clientes do Will Bank após a liquidação?

Banco digital do conglomerado do Master afirma ter mais de 12 milhões de clientes

Empresa foi liquidada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21)

Os cerca de 12 milhões de clientes do Will Bank, braço digital do Master, devem ficar atentos em como proceder após a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (21). Apesar de fazer parte do conglomerado do empresário Daniel Vorcaro, a financeira estava em Regime Especial de Administração Temporária (RAET).

Segundo o BC, o RAET é adotado quando a instituição, em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou quando a paralisação abrupta do seu funcionamento pode causar riscos à estabilidade financeira. O regime é encerrado se houver solução de mercado para a instituição. Não havendo, é decretada a liquidação extrajudicial.

Na época em que o conglomerado foi liquidado pelo BC, o Will Bank foi preservado em razão da possibilidade de uma venda. O negócio, porém, fracassou, e diante da dificuldade de honrar compromissos com a Mastercard a financeira foi fechada definitivamente.

Cartão de crédito

Mas e quem tinha dívidas no cartão de crédito, ainda precisa pagar? Segundo o advogado Tádson Guerra, a liquidação do banco não extingue a dívida. “Caso o consumidor tenha faturas de cartão de crédito abertas no Will Bank, não vai ser possível fazer novas compras, mas a dívida precisa ser paga. Pode haver consequências financeiras, como inscrição em órgãos de proteção de crédito”, disse.

Segundo informações do próprio Will Bank, a instituição possuia 12 milhões de clientes, envolvendo operações de cartões, empréstimos e investimentos. A financeira movimentou cerca de R$ 7,5 bilhões no último ano. O foco da operação era na classe econômica C, D e E.

Investimentos

Por outro lado, assim como no caso do Master, correntistas e depositantes possuem proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para valores de até R$ 250 mil. O fundo cobre os Certificados de Depósito Bancários (CDBs) e os demais valores que estavam na conta corrente dos clientes.

Porém, Guerra lembra que o pagamento não é imediato e depende do envio da lista de credores pelo liquidado ao FGC. “Esses valores investidos não são restituídos de forma automática. O investidor precisa baixar o aplicativo, inserir todos os dados e documentos solicitados”, explicou.

Como funciona o pagamento

  • Banco Central decreta a liquidação da instituição - liquidante prepara a lista de pessoas e valores a serem pagos pelo FGC. Esse processo pode levar, em média, 30 dias úteis a partir da falência.
  • Com as informações recebidas da instituição, o FGC libera a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
  • Após a assinatura do termo de sub-rogação pelo app, o pagamento é realizado na conta bancária cadastrada.
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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.

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