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Bolsa brasileira registra queda firme com escalada no conflito entre EUA e Irã

Nervosismo do mercado foi alimentado sobretudo pelo risco de fechamento do Estreito de Ormuz

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Bolsa caiu 0,46% nesta quinta-feira (16)
Ibovespa teve queda firme na sessão desta segunda-feira (13) • Leandro Martins | B3

A Bolsa brasileira fechou a sessão desta segunda-feira (13) em baixa. O efeito dos ganhos do petróleo sobre as ações da Petrobras não foi suficiente para evitar a queda do Ibovespa, mas ao menos limitou o estrago causado pelas perdas do setor financeiro, das ações ligadas ao ciclo econômico e da Vale. O indicador registrou um recuo de 1,20% a 175.739,08 pontos.

O nervosismo do mercado foi alimentado pela piora das tensões no Oriente Médio, sobretudo com o risco de fechamento do Estreito de Ormuz, agravada à tarde por relatos de ataques mútuos entre Iêmen e Arábia Saudita, que acentuaram os temores com o cenário inflacionário e, consequentemente, com a possibilidade de alta de juros.

A Bolsa chegou a operar brevemente no azul pela manhã, mas o sinal negativo preponderou ao longo da sessão, diante do estresse com o quadro internacional, num dia de agenda doméstica esvaziada. O barril do tipo Brent, referência para a Petrobras, para setembro, fechou em alta de 9,5%, a US$ 83,30 o barril, o que ajudou as ações da companhia a subirem em torno de 3%.

Pela manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o país queria tomar o controle do Estreito de Ormuz, que responde por 20% do fluxo global de petróleo, e cobrar uma taxa sobre as cargas transportadas para custear a segurança da navegação. À tarde, ele informou bloqueio a portos e áreas costeiras do Irã a partir de terça-feira, 14, o que Teerã considerou uma agressão direta e prometeu responder.

A leitura do mercado é de que a retomada das negociações sobre o acordo de paz está ameaçada, o que deve prolongar a volatilidade nos preços do petróleo. Para Max Bohm, estrategista-chefe da Nomos, o mercado já está precificando novamente o fechamento do Estreito.

"O risco de inflação volta a colocar medo nos mercados, com juros pra cima e Bolsa pra baixo", resumiu Bohm, com a ressalva de que, se não fosse o desempenho das petroleiras, o índice poderia ter caído mais de 2%. Além de embalar o avanço de Petrobras ON (+3,44%) e PN (+2,55%).

Mesmo com a ponderação de que o atual nível do petróleo ainda está distante dos US$ 100 alcançados durante a guerra, a retomada da trajetória altista da commodity é vista como um elemento de cautela para a ação dos bancos centrais. "A inflação, que já estava dando sinais de arrefecimento tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, pode voltar a acelerar e aí bancos centrais podem não se sentir confortáveis em cortar juros", afirma Bohm.

Também nesse sentido, Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, destaca "a movimentação significativa da abertura dos DIs" com a possível reescalada do petróleo. "Essa elevação dos DIs impacta diretamente a maior parte dos setores de Ibovespa e principalmente empresas mais alavancadas", afirma.

Entre os bancos, Itaú Unibanco PN caiu 1,76% e Bradesco PN, -0,48%. Também pesou sobre o índice o recuo de 1,79% de Vale ON, em reação às quedas do minério de ferro em Dailan e Cingapura. O Ibovespa terminou em queda de 1,20%, aos 175.739,08 pontos. Na máxima, atingiu 178.154 pontos, alta de 0,16%, e, na mínima, 175 567 pontos (-1,29%). Em julho, acumula alta de 2,16% e, no ano, de 9,07%.

*Por Denise Abarca, Estadão Conteúdo.

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