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Governo Lula envia diplomata à Venezuela e prepara missão empresarial ao país

Itamaraty prepara missão com empresários para Caracas após retomada de contatos diplomáticos com o governo venezuelano

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Negociações são conduzidas pelo Itamaraty • Gustavo Ferreira/AIG-MRE.

O Governo federal retomou as movimentações diplomáticas com a Venezuela após quase dois anos de interrupção e planeja enviar, no próximo mês, uma missão do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) acompanhada de empresários a Caracas.

Como parte da reaproximação, o Brasil enviou no fim de abril o embaixador Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Itamaraty, em uma visita considerada exploratória pelo governo brasileiro. A agenda incluiu encontros com representantes do governo interino de Delcy Rodríguez, empresários locais e setores econômicos venezuelanos.

A viagem ocorreu cerca de três semanas após a abertura de contatos iniciais entre autoridades brasileiras e o governo interino, em um movimento diplomático conduzido com discrição pelo Itamaraty.

A presença do diplomata é considerada simbólica por envolver um nome da área de promoção comercial, e não da diplomacia política, em meio ao cenário de incertezas sobre a transição de poder na Venezuela após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na saída de Nicolás Maduro e na ascensão de Delcy Rodríguez, que conta com apoio norte-americano.

Segundo o Itamaraty, a visita teve como objetivo identificar oportunidades comerciais e de investimentos diante das mudanças recentes no cenário econômico venezuelano. Durante dois dias em Caracas, Aguiar participou de reuniões com ministros e vice-ministros de cinco áreas — comércio exterior, relações exteriores, turismo, transportes e ciência e tecnologia — além de encontros com entidades empresariais locais, como a Fedecámaras e o Conselho Nacional de Comércio e Serviços.

O governo venezuelano tenta transmitir sinais de normalização econômica e abertura a investimentos estrangeiros, com reformas em setores estratégicos como petróleo, gás e mineração, além de iniciativas para atrair capital externo apesar das sanções dos Estados Unidos.

A Venezuela acumula uma dívida estimada em US$ 150 bilhões, sendo cerca de US$ 1,8 bilhão com o Brasil, referente principalmente a obras de infraestrutura financiadas por operações do BNDES. Parte desses valores foi coberta por mecanismos de seguro de crédito à exportação acionados pela União.

Após o distanciamento diplomático ocorrido no período eleitoral venezuelano, o governo Lula mantém uma relação mais cautelosa com o país, sem condenações diretas ao processo político, sob o argumento de não interferência em assuntos internos. A missão empresarial planejada pelo Itamaraty deve ocorrer em junho e incluir também visitas ao Suriname e à Guiana. A iniciativa terá caráter exploratório e deve reunir empresas brasileiras interessadas em potenciais oportunidades na região.

Durante eventos com investidores em Caracas, representantes do governo venezuelano e do setor privado apresentaram projeções econômicas e sinais de retomada gradual da atividade, em meio a expectativas de maior estabilidade e abertura ao capital estrangeiro.

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