Itatiaia

Governo fará sequência de reuniões com setores afetados pelo tarifaço

Planalto diz que canal com os EUA está praticamente fechado

Presidente em exercício, Geraldo Alckmin
Presidente em exercício, Geraldo Alckmin • André Neiva/STF

O governo federal dará sequência, até a próxima quarta-feira (22), a uma série de reuniões com representantes dos setores afetados pelo tarifaço de 25% pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

CNN apurou que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, procurou representantes de setores nos últimos dias. Assim como o ministro do Comércio, Marcio Elias Rosa, que conduz as tratativas, desde a semana passada, para discutir alternativas de apoio às empresas. A estratégia do Planalto é concentrar esforços no diálogo com o setor produtivo, diante da avaliação de que há pouca margem para uma negociação direta com o governo norte-americano neste momento.

Nos bastidores do governo, a leitura é de que o canal de diálogo com Washington está praticamente fechado e que uma eventual reabertura das negociações só deve ocorrer após as eleições brasileiras.A apuração é do blog da analista Tainá Falcão, da CNN.

Integrantes do Planalto avaliam que o presidente Donald Trump prefere aguardar o resultado do pleito antes de discutir uma solução para o impasse comercial. Esse também tem sido o sentimento de empresários consultados pela CNN.

Sem perspectiva de diálogo com os EUA, esses representantes defendem que a prioridade seja por uma solução negociada com o governo brasileiro. De antemão, alguns demonstram resistência à aplicação da Lei da Reciprocidade, mecanismo cogitado pelo governo anteriormente.

Esses empresários lembram que, antes de qualquer aplicação da reciprocidade, a legislação prevê etapas como consulta pública, na qual a expectativa é de que os setores produtivos se posicionem majoritariamente contra a adoção da medida.

A percepção entre esses representantes é de que uma resposta tarifária do Brasil teria efeito limitado sobre a posição dos Estados Unidos.

A avaliação também é de que o impasse extrapolou a esfera comercial e segue pela esfera política. Integrantes do setor privado recordam que o episódio teve início com a carta enviada por Donald Trump ao governo brasileiro, na qual o presidente americano apresentou justificativas de caráter político para a adoção das tarifas. Por isso, acreditam também que as relações entre os dois países só têm chances de evoluir depois de outubro.

Assim como o governo, empresários destacam que o tarifaço ocorre apesar de o Brasil registrar déficit comercial na relação bilateral com os Estados Unidos, o que, na visão deles, enfraquece a justificativa para a medida.

Eles também alertam que a sobretaxa tende a afastar os dois países e estimular parte da indústria brasileira a buscar fornecedores e mercados alternativos, especialmente na China.

 

 

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