Empresários e entidades veem interferência das eleições no tarifaço dos EUA
Setores como o madeireiro serão sobretaxados em 25%; governo federal estima que 18% das exportações serão afetadas a partir de 22 de julho

Empresários brasileiros e entidades de classe avaliam que a disputa política em torno da nova tarifa de 25% dos Estados Unidos atrapalhou a negociação. O governo federal estima que 18% das exportações brasileiras aos norte-americanos serão sobretaxadas a partir de 22 de julho.
Entre os setores mais afetados, está o madeireiro. Em nota, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) atribuiu o tarifaço a uma negociação associada a componentes políticos. A entidade defende que a reversão seja tratada com urgência e prioridade
“No entendimento da associação, diante da relevância econômica e social dessa pauta, seria necessária uma atuação mais efetiva do governo brasileiro, dissociada dos componentes políticos e focada na negociação diplomática, para evitar um resultado que penaliza diretamente a indústria brasileira de madeira processada”, diz o posicionamento da Abimci.
Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu a responsabilidade ao governo brasileiro devido a “ruídos diplomáticos desnecessários”, associando o tema a uma disputa política. Segundo a federação, a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma “condução técnica e pragmática”.
“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, declarou a Fiesp em nota.
Nesta sexta-feira (17), ao ser questionado sobre o impacto das eleições do Brasil na negociação do tarifaço, o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, disse ter clareza apenas do que “ajudou” o processo que resultou em mais de 600 itens isentos.
“O que ajudou foi esse envolvimento das empresas brasileiras, o trabalho feito pela Apex Brasil junto às empresas brasileiras e americanas, de mostrar a importância de cada setor, o quanto os setores dependiam uns dos outros. Tudo que foi diferente disso, me parece que não ajudou. Alguns dizem que atrapalhou”, disse.
De quem é a culpa?
O Palácio do Planalto responsabiliza a família Bolsonaro pelas tarifas de 25%. Na semana passada, o pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou de uma audiência pública realizada pelos EUA sobre o tema. Na ocasião, o senador pediu o adiamento da tarifa.
“É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros”, disse o governo
Por sua vez, Flávio Bolsonaro afirmou que a culpa do tarifaço é presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador disse que o petista preferiu provocar Trump do que negociar. "O Brasil sequer enviou representantes para defender os nossos interesses”, escreveu Flávio no X.
O presidente dos EUA, Donald Trump, acatou recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e decidiu impor uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros.
Os produtos que já estiverem embarcados antes de 22 de julho poderão ficar livres da sobretaxa, desde que ingressem nos Estados Unidos até 29 de julho.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a sobretaxa foi imposta porque o “presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé.”
“No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio.
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