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Governo dos EUA formaliza tarifa extra de 25% contra produtos brasileiros

Publicação no Federal Register formaliza a determinação do Escritório do Representante Comercial dos EUA e mantém a lista de produtos isentos já divulgada pelo órgão

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Donadl Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • KENT NISHIMURA / AFP

O governo dos Estados Unidos incluiu na edição do Federal Register — o equivalente ao diário oficial do país —, prevista para a próxima segunda-feira (20), a decisão que impõe tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, no âmbito da investigação da Seção 301 da Lei do Comércio de 1974. A medida está prevista para entrar em vigor no dia 22 de junho.

O novo tarifaço, anunciado nessa quarta-feira (15), acontece após o presidente Donald Trump acatar uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês), que realizava investigações desde julho de 2025 — quando Trump anunciou a primeira sobretaxa ao Brasil, de 50%.

Agora, a tarifa é adicional às alíquotas já existentes, ou seja: um produto que atualmente paga 5% de imposto de importação passará a pagar 30%, somando a tarifa regular aos 25% adicionais.

A publicação no Federal Register formaliza a determinação do USTR e mantém a lista de produtos isentos já divulgada pelo órgão. Entre as exceções estão:

  • Carne bovina;
  • Café;
  • Laranja;
  • Suco de laranja;
  • Petróleo;
  • Celulose;
  • Partes para fabricação de aeronaves;
  • Outros insumos considerados estratégicos para evitar impactos sobre o abastecimento e a economia norte-americana.

O texto no diário oficial dos EUA também preserva as justificativas apresentadas pelo USTR para as isenções e confirma a rejeição de pedidos de exclusão tarifária para produtos como vestuário, calçados e máquinas agrícolas e industriais.

Brasil pretende responder com 'Lei da Reciprocidade'

Após a confirmação do tarifaço, o Palácio do Planalto confirmou, nessa quinta-feira (16), que usará as medidas previstas na Lei da Reciprocidade, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em abril do ano passado.

A legislação autoriza o governo brasileiro a adotar medidas proporcionais, como tarifas sobre produtos importados ou outras restrições comerciais. Na prática, o Brasil pode oferecer o mesmo tratamento dado a ele, seja no âmbito comercial, na concessão de vistos, na área econômica, diplomática ou a qualquer ação estrangeira que "impacte negativamente a competitividade internacional brasileira".

Segundo previsto em lei, a reciprocidade pode acontecer por três formas:

  • Retaliação direta por meio de tarifas: quando o Brasil impõe tarifas equivalentes sobre produtos norte-americanos, atingindo setores estratégicos dos EUA, como o agronegócio.
  • Ações multilaterais: o Brasil pode recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) para contestar as tarifas, o que pode resultar em uma articulação com os outros países, também taxados pelos EUA, segundo Lula.
  • Revisão de isenções comerciais: o país pode rever acordos bilaterais que beneficiem os EUA, seja no campo tributário, logístico ou consular.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.