Governo eleva projeção de inflação para 2026 com alta do petróleo

Guerra no Oriente Médio fez com que o Ministério da Fazenda alterasse as expectativas para o índice de preços no ano

Relatório do governo revela impacto da guerra no Oriente Médio na inflação

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda revisou para cima a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nesta sexta-feira (13), de 3,6% para 3,7%. A atualização ocorreu em maio a disparada do preço do petróleo, com o barril ultrapassando os US$ 100 em razão da guerra no Oriente Médio.

“O impacto estimado para uma alta de cerca de 1% no preço do petróleo na inflação medida pelo IPCA foi de 0,02 ponto percentual, considerando nessa estimativa uma alta dos preços na refinaria de gasolina e diesel e um repasse de cerca de 20% a 30% dos preços da distribuidora para os preços de comercialização final”, disse o relatório da SPE.

Em contrapartida, a SPE destacou que a apreciação do real frente ao dólar pode contribuir para uma redução de 0,06 ponto percentual (p.p) para cada 1% de valorização da moeda nacional. “Essas mudanças levaram a uma alta de 0,1 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA no ano, já incorporando o resultado do IPCA-15 de fevereiro”, destacou a pasta.

A alta no preço do petróleo pode causar uma disparada no preço dos combustíveis e outros derivados, causando um impacto generalizado nos custos de diversas cadeias produtivas. Segundo o economista André Braz, coordenador de índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), os impactos do petróleo podem ser grandes.

“O petróleo influencia o preço dos combustíveis, que é a porta de entrada da inflação. Mas o espalhamento das pressões inflacionárias vão muito além do que a gente percebe em um possível encarecimento do diesel e da gasolina”, explicou em entrevista à Itatiaia.

De acordo com um relatório dos analistas André Valério e Gustavo Menezes, do Banco Inter, o aumento do preço do petróleo pode valorizar o real, uma vez que o país é um dos maiores produtores da commodity no mundo. Por outro lado, o aumento traz preocupações relacionadas ao custo de vida.

“A gasolina é o item com maior peso individual no IPCA, respondendo por cerca de 5% do índice. Portanto, para cada 1% de alta no preço da gasolina nas bombas dos postos de combustíveis, o IPCA aumenta em 0,05 pontos percentuais”, ressaltam.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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