Fiemg vê acordo de UE e Mercosul como avanço, mas prega análise cuidadosa de impactos

Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais aponta que exigências regulatórias e o cumprimento dos prazos do acordo de eliminação de tarifas devem ser acompanhados com atenção

União Europeia e Mercosul selaram acordo no último sábado

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) avalia que o acordo de parceria entre a União Europeia (UE) e o Mercosul como um avanço cujos efeitos na economia mineira devem ser averiguados cuidadosamente. No sábado (17), os dois blocos firmaram oficialmente o tratado que elimina tarifas e cria a maior comunidade de livre comércio do mundo, com cerca de 720 milhões de pessoas.

Segundo o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, o avanço representado pela assinatura do acordo deve ser acompanhada pela análise minuciosa dos possíveis impactos na competitividade da indústria mineira.

“A assinatura do acordo entre a União Europeia e o Mercosul amplia o acesso a um mercado relevante para o Brasil e para Minas Gerais. No entanto, é fundamental avaliar com atenção os impactos sobre a competitividade da indústria, especialmente nos setores mais sensíveis, considerando exigências regulatórias, sanitárias e ambientais, bem como os prazos de adaptação”, disse.

A assinatura do acordo põe fim a uma negociação que se arrastava desde 1999, quando começaram as tratativas. Os termos firmados entre os membros do Mercado Comum da América do Sul e os 27 países que integram a UE determinam a eliminação de tarifas de 91% dos bens europeus em até 15 anos e o fim das tarifas de 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

Relação entre Minas Gerais e União Europeia

Segundo a Fiemg a relação comercial de Minas com a União Europeia é superavitária para o estado brasileiro. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras somaram US$ 31 bilhões, enquanto as importações ficaram na marca de US$ 13,38 bilhões — um saldo positivo de US$ 17,62 bilhões.

Mais da metade das exportações mineiras (58%) são de café. O minério de ferro, com 9%; e as ferroligas, com 8%, fecham o pódio das vendas do estado aos europeus. No caminho inverso, máquinas e equipamentos (27%); produtos farmacêuticos (11%); e itens do setor automotivo, especialmente partes e peças dominam as importações feitas por Minas Gerais.

A balança comercial entre o Brasil e a União Europeia também pesa favoravelmente ao país sul-americano, com saldo positivo de US$ 6,31 bilhões entre 2021 e 2025

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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