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Fiemg diz que fim da escala 6x1 pode resultar na perda de até 18 milhões de empregos

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais indica que a medida pode reduzir o PIB em 16%; entidade critica tramitação acelerada e defende flexibilidade

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Carteira de trabalho digital
Carteira de trabalho digital • Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um novo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) revela que o fim da escala de trabalho de seis dias para um de descanso (6x1) pode reduzir o Produto Interno Bruto do país em até 16%. Segundo o levantamento, a medida ainda pode resultar na perda de 18 milhões de postos de trabalho na próxima década

Em entrevista à CNN Money, Fernanda Ribas, gerente trabalhista da Fiemg, destacou que a tramitação acelerada do projeto de lei, impulsionada pelo contexto eleitoral, representa uma fonte significativa de insegurança jurídica para o país.

A especialista explicou que a alteração proposta diz respeito ao limite constitucional da jornada de trabalho, atualmente fixado em 44 horas semanais, que passaria para 40 horas. Segundo ela, qualquer regulamentação específica sobre o tema deveria vir apenas após a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

"O que está acontecendo hoje é que um projeto de lei está tramitando, tendendo a regulamentar questões que ainda não estão definidas no âmbito da Constituição Federal", afirmou Ribas, ressaltando a inconsistência jurídica da medida.

"Como vamos regulamentar questões que ainda não estão definidas na Constituição Federal? Isso gera uma insegurança jurídica enorme", emendou.

Ribas também frisou que a tramitação em regime de urgência reflete pressões do calendário eleitoral. "É mais um demonstrativo da pressão que está se tendo em razão do momento eleitoral", disse, acrescentando que o desejo da entidade é que a discussão se prolongue para após as eleições, com um debate responsável e distante de pressões políticas imediatas.

Sede da Fiemg em Belo Horizonte • Google Street View
Sede da Fiemg em Belo Horizonte • Google Street View

Para ilustrar os efeitos concretos da medida, Ribas citou o exemplo de pequenos negócios. Segundo ela, estabelecimentos como padarias precisariam contratar mais funcionários para manter seu funcionamento atual, o que elevaria os custos com pessoal e, consequentemente, os preços ao consumidor. "O pãozinho do dia a dia vai ficar mais caro", exemplificou. A preocupação se alinha a outras manifestações do setor produtivo, como a da CDL/BH sobre o momento desfavorável para a discussão.

Ela também destacou que o impacto não se restringiria ao setor privado. Hospitais e outros serviços públicos que precisassem ampliar seu quadro de trabalhadores para manter a oferta de serviços também enfrentariam aumento de custos.

"O impacto é na economia como um todo", afirmou. "São vários setores envolvidos, e é muito complexo decidir sobre isso sob uma pressão tão grande."

Questionada sobre a proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho, Fernanda Ribas avaliou positivamente a iniciativa. O Senado deve decidir o futuro da escala 6x1 com ao menos três propostas em discussão.

Segundo a gerente trabalhista, a PEC do senador mantém os limites constitucionais vigentes e, ao contrário da proposta aprovada na Câmara dos Deputados, permite a utilização de diversas escalas de trabalho, oferecendo flexibilidade para diferentes setores da economia.

"A proposta mantém os direitos trabalhistas que hoje já são devidos e ainda permite a utilização de novas escalas de trabalho", afirmou Ribas, elogiando a flexibilidade da iniciativa.

A representante da Fiemg esclareceu que a entidade não é contrária à redução da jornada de trabalho em si, mas questiona a imposição, por lei, de uma única escala para todos os setores.

"O que a gente está questionando é uma imposição, por lei, de uma única escala de trabalho, de uma única jornada", disse.

A Fiemg apresentou emendas à PEC durante sua tramitação na Câmara, mas nenhuma delas foi acatada. A estratégia agora é repetir o esforço no Senado Federal, contribuindo para o aprimoramento do texto em discussão. Essa abordagem se alinha a propostas alternativas levadas ao Senado por outras frentes.

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