Vendas do varejo registram o pior abril desde o início da pandemia de Covid-19
Varejo registrou queda de 1,5% em abril com queda no consumo de combustíveis e lubrificantes

O volume de vendas do comércio varejista caiu 1,5% em abril frente ao mês de março, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na série livre de influências sazonais. O resultado foi pressionado pela venda de combustíveis e lubrificantes (-6,2%), em um cenário de alta nos preços em meio à crise no barril do petróleo com a guerra no Oriente Médio.
O resultado é bem acima do esperado pelo mercado, que projetava uma contração de 0,6% nas vendas do varejo. Se comparado com o mesmo mês do ano anterior, o varejo registrou alta de 1,0%. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o setor avança 2,0%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é de 1,5%.
O gerente da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), Cristiano Santos, destaca que as vendas apresentaram queda após meses de resultados positivos. “Os três primeiros meses, na margem, tiveram um crescimento significativo, a ponto de elevar o patamar do comércio para o nível histórico recorde. Assim, há um efeito de base, quando uma variação positiva a mais é de menor suscetibilidade”, disse.
Esse foi o pior resultado para o mês desde 2020, quando as vendas do comércio caíram 16% devido às restrições da pandemia de Covid-19. Ainda de acordo com Santos, houve um rebatimento geral no indicador. Além dos combustíveis, o setor viu cair o consumo de artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%) e equipamentos para escritório (-4,5%).
“O que estava puxando o índice para cima nos meses anteriores foi o que justamente caiu em abril. O ponto é que, se antes um consumo mais intensivo em bens não essenciais vinha sustentando a alta, agora essas mesmas atividades devolveram o crescimento”, ressalta o especialista.
Já no campo de atividades que tiveram alta, destacaram-se Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%), que apresenta o maior peso para o índice, e livros, jornais, revistas e papelaria (1,1%).
Varejo ampliado recua 0,7%
O comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, o volume de vendas em abril caiu 0,7% frente ao mês anterior, após estabilidade em março. Materiais de construção puxaram a queda com uma variação negativa de 3,6%.

O economista sênior do Banco Inter, André Valério, destaca que o varejo destoou do restante dos índices do IBGE, sendo o único a apresentar queda. “Entretanto, tanto a leitura da produção industrial quanto de serviços, que registraram altas de 0,7% e 1,2%, respectivamente, ensejam cautela na análise”, disse.
Para o especialista, o varejo foi o setor que apresentou sinais mais claros de desaceleração, mesmo crescendo 2% no ano com impulso do varejo alimentício e farmacêutico, itens considerados essenciais.
“Quando decompomos o índice de varejo de acordo com sua sensibilidade à renda e ao crédito, vemos queda em ambas as medidas, reforçando esses indícios de fragilidade no consumo, em linha com o ambiente de condições financeiras restritivas que se vê nos últimos meses”, completou.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



