Estados Unidos podem ampliar tarifas contra o Brasil no fim de julho
Escritório comercial dos EUA ainda investiga a entrada de produtos produzidos com 'trabalho forçado'; governo afirma que americanos não possuem provas

A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros pode ser ampliada até o fim de junho, quando termina o prazo de uma nova investigação do governo Trump sobre “trabalho forçado” em 60 países. Caso se confirme, o Brasil será tarifado em mais 12,5%, fazendo com que a alíquota média contra o país suba para 37,5%.
Na avaliação do governo federal essa ampliação é “muito provável”, segundo informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias Rosa, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (16). De acordo com ele, essa tarifa foi proposta para que o governo norte-americano substituísse a alíquota de 10% que foi derrubada pela Suprema Corte, ainda em fevereiro.
Elias lembrou que a investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) tem prazo até a próxima sexta-feira (24). Para o ministro, a questão é saber se a sobretaxa será cumulativa ou não.
"A expectativa é que virá para todos, porque essa tarifa da Seção 301 do trabalho forçado os Estados Unidos criaram para substituir aqueles 10% que vão acabar na semana que vem. O que vai cair em 10% para o mundo inteiro eles vão substituir por essa de 10 ou 12,5%", disse o ministro.
Segundo o governo Trump, o Brasil e outras 59 nações teriam se omitido ao tomar medidas contra o comércio de mercadorias provenientes de trabalho forçado. Entre os países que podem ser taxados estão aliados dos Estados Unidos, como Argentina, Emirados Árabes Unidos, Israel, Japão, Reino Unido, dentre outros.
Por sua vez, o governo brasileiro já afirmou que não reconhece a legitimidade da investigação do USTR. O Itamaraty argumenta que os EUA não apresentaram provas concretas e não há evidências de que bens produzidos com trabalho forçado no Brasil tenham entrado no mercado norte-americano.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



