Correios adiam fechamento de agências em todo o país em meio a reestruturação
Decisão ocorre após ameaças de greve e busca por acordo com sindicatos; estatal segue com outras medidas de reestruturação, como venda de imóveis

Os Correios adiaram o fechamento de agências em todo o país. A decisão da estatal ocorre em meio a ameaças de greve dos trabalhadores e busca um acordo com os sindicatos que representam a categoria, como parte do plano de reestruturação que tem sido conduzido desde o ano passado.
Apesar da suspensão da medida de fechamento de unidades, outras ações de redução de despesas permanecem em vigor, como a venda de imóveis como medida de redução de despesas. A empresa garante que a interrupção no fechamento de agências é temporária e visa abrir espaço para que as entidades representativas dos funcionários apresentem sugestões sobre as ações previstas no plano.
Na semana passada, sindicatos indicaram a possibilidade de paralisação devido à insatisfação com a reestruturação. Em resposta, a direção dos Correios enviou uma proposta para os representantes dos trabalhadores, buscando iniciar as negociações.
Entre os principais pontos em debate está o fechamento de mil agências, considerado crucial para a recuperação financeira da estatal. Das mil unidades que estavam previstas para encerramento, apenas 256 foram desativadas até o momento. Caso a medida seja integralmente concluída, a estimativa é de uma economia de R$ 2,1 bilhões.
Um novo PDV (Programa de Demissão Voluntária) também está na pauta e deve ser anunciado em breve. A iniciativa será voltada exclusivamente para os empregados das unidades que serão fechadas, abrangendo cerca de 7 mil trabalhadores.
Segundo apuração da CNN Brasil, publicada em maio, o novo Programa de Demissão Voluntária pode ser responsável por até 45% da economia projetada com o plano de reestruturação. No entanto, na primeira rodada do programa neste ano, apenas 3.181 empregados aderiram voluntariamente, o equivalente a 31% do público-alvo.
Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Este valor representa um aumento em comparação às perdas de R$ 1,725 bilhão contabilizadas no mesmo período de 2025.
O relatório contábil da empresa indica que esse resultado é reflexo de fatores estruturais e de mercado, como a contínua queda nas receitas dos serviços postais tradicionais e o aumento da concorrência em setores mais lucrativos da logística, principalmente o comércio eletrônico. A empresa firmou um empréstimo de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco bancos em dezembro de 2025, como parte das ações para a reestruturação.
Em contraste com o cenário financeiro desafiador, o Banco do Brasil anunciou, nesta quarta-feira (8), a assinatura de um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios. O acordo prevê a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, em âmbito nacional e internacional, pelos próximos cinco anos.
O Banco do Brasil informou que a contratação foi realizada seguindo todos os procedimentos necessários, incluindo análises técnicas, avaliação jurídica e formalização contratual.
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