Chefe da articulação política de Lula defende revogar 'taxa das blusinhas'
Segundo José Guimarães, embora aprovada pelo Congresso Nacional, desgaste da medida recaiu sobre a gestão petista

O novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, defendeu, nesta quinta-feira (16), a revogação da chamada "taxa das blusinhas", o imposto de importação aplicado às compras internacionais de até US$ 50.
Em café com jornalistas, no Palácio do Planalto, o chefe da articulação política do governo Lula (PT) avaliou que o desgaste da medida, aprovada pelo Congresso Nacional, recaiu sobre a gestão petista.
"Quando essa matéria foi votada eu achava que ela não deveria ser aprovada. Foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa. Essa é minha opinião quando eu for consultado", declarou Guimarães.
Implementada em agosto de 2023, como parte do programa Remessa Conforme, a “taxa das blusinhas” visa combater a sonegação de impostos em compras internacionais a partir de duas faixas de tributação:
- Compras de até US$ 50: 20% de Imposto de Importação + 17% de ICMS;
- Compras acima de US$ 50: 60% de Imposto de Importação + 17% de ICMS.
Caso a compra seja feita em sites que não participam do programa, aplica-se a regra geral, com alíquota de 60% de imposto de importação, além dos 17% de ICMS. A cobrança ocorre na chegada do produto ao Brasil, antes da entrega ao consumidor.
Setor produtivo defende medida
Cerca de 50 entidades representativas da indústria, do comércio e dos trabalhadores lançaram um manifesto contrário à possível extinção da "taxa das blusinhas", medida proposta em um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados.
Segundo o documento, a manutenção da taxa, consolidada entre 2023 e 2024, foi um motor para indicadores históricos. Para as entidades signatárias, o atual modelo tributário permitiu:
- Geração de empregos: desde a implementação, o comércio criou 860 mil vagas diretas e a indústria outras 578 mil.
- Baixo desemprego: o Brasil encerrou 2025 com taxa de 5,1%, a menor da série histórica.
- Demanda por matéria-prima: o fortalecimento das fábricas nacionais garante o escoamento da pluma de algodão brasileira no mercado interno.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



