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Banco Central interrompe ciclo de cortes de juros e mantém Selic em 13,75%

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo projeções do Boletim Focus divulgado na terça-feira (3); relatório elevou as estimativas de inflação para 2026 de 5,19% para 5,22%

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Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília • EVARISTO SA / AFP

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) interrompeu, nesta quarta-feira (4), o ciclo de cortes da taxa básica de juros após cinco reduções seguidas na Selic. Com a decisão, os diretores da autoridade monetária brasileira mantiveram os juros de referência do mercado em 13,75% ao ano.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo projeções do Boletim Focus divulgado na terça-feira (3). O relatório elevou as estimativas para o fechamento do Índice de Preços Nacional ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 de 5,19% para 5,22%, mais de 2 pontos percentuais (p.p) acima do centro da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A leitura do mercado sobre a inflação ainda está 0,72 p.p acima do teto da meta, considerando o intervalo de tolerância de 1,5 p.p para mais ou para menos. O dólar também teve sua projeção ajustada de R$ 5,05 para R$ 5,34, enquanto a Selic avançou de 13,25% ao ano para 13,50%.

"O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução", disse o comunicado do Copom.

O boletim revelou uma mudança pessimista na releitura do mercado financeiro sobre os rumos da economia no país, principalmente após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma virada inédita contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para conquistar o feito, o governo aprovou uma série de medidas que, para os analistas, enfraquecem a política fiscal ao estimular os gastos públicos.

Desde o fim do segundo turno, houve uma piora na percepção de risco de investidores no Brasil. A incerteza fiscal chegou a causar uma retirada bilionária de recursos da Bolsa de São Paulo (B3), que logo no dia após as eleições precisou interromper as negociações por algumas horas em razão de uma queda superior a 10%.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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