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Taxa Selic: Banco Central decide nesta quarta (4) se reduz juros em meio à queda de braço entre governo e o mercado

Até o final de outubro, o mercado esperava um novo corte da Selic de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 13,75% para 13,5%. O boletim Focus, por sua vez, projetava um reajuste final em dezembro, com a taxa básica encerrando o ano em 13,25%

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Banco Central (BC) divulga nesta quarta-feira (4) a decisão sobre a taxa básica de juros • Antonio Cruz/Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) divulga nesta quarta-feira (4) a decisão sobre a taxa básica de juros do país, a Selic. O encontro ocorre em meio a um debate acalorado e divergências entre o governo federal e o mercado financeiro sobre as altas taxas praticadas no Brasil. Em meio a duras críticas de Lula, o Copom decide se corta ou mantém os juros básicos.

Até o final de outubro, o mercado esperava um novo corte da Selic de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa de 13,75% para 13,5%. O boletim Focus, por sua vez, projetava um reajuste final em dezembro, com a taxa básica encerrando o ano em 13,25%.

No entanto, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato, os agentes econômicos passaram a recalcular a rota, ponderando incertezas fiscais, o prêmio de risco embutido ao país, a desvalorização do real e possíveis choques inflacionários.

A gestão petista, que historicamente questiona a alta de juros pelo BC, enfrenta um impasse. O presidente Lula faz nova cobrança ao Banco Central pela redução na taxa de juros. A ausência de definições sobre o tratamento das contas públicas e o futuro ministro da Fazenda aumenta a incerteza no mercado.

A bolsa de valores derreteu 18% na semana pós-eleição e seguiu em queda na terça-feira (3), após o feriado de Finados. Os juros futuros, por sua vez, subiram ao longo de toda a curva, refletindo os temores sobre os rumos da economia no governo Lula 4.

Contudo, enquanto o mercado reage com especulação, o BC deve se manter atento e cauteloso, alerta Roberto Simioni, economista-chefe da Blue3 Investimentos.

“A transição pós-campanha introduz uma incerteza que o Copom não pode ignorar, ainda que não deva reagir a especulações antes que elas se materializem em política econômica”, escreveu Simioni, ressaltando que o radar está de olho no futuro chefe da equipe econômica de Lula 4.

“A lógica é simples: se o novo governo mantiver disciplina fiscal, preservar metas críveis e evitar expansão adicional de gastos ou renúncias de receita, o BC terá mais espaço para prosseguir com cortes graduais. Agora, ao contrário, caso venha a prevalecer estímulos à demanda, ampliações de subsídios, pressões por crédito direcionado ou flexibilização de regras fiscais, o efeito será duplo: a demanda agregada ganhará fôlego justamente quando a inflação de serviços ainda não cedeu, e o prêmio de risco fiscal tenderá a elevar o custo de financiamento da economia”, pontuou.

Com calculadora e planilhas em mãos, o mercado refez as contas e passou a projetar um cenário mais duro para a inflação e os juros, conforme adiantado pelo CNN Money.

Os contratos de opções de Copom negociados na B3 apontam que mais de 70% dos investidores consideram a manutenção da Selic em 13,75%.

O boletim Focus, apurado pelo próprio BC, já reflete a virada das expectativas: a mediana do mercado aponta taxas e preços mais elevados até 2030.

A tese mais aceita no mercado e entre economistas ortodoxos é que os juros se manterão elevados à medida que a dívida pública continuar subindo. Nesse sentido, os agentes econômicos cobram uma política de ajuste fiscal crível por parte do governo.

A tensão se acentuou com rumores de que o presidente Lula se reuniria com André Lara Resende, um dos "pais" do Plano Real. Em setembro, artigo do economista defendia a redução de juros para conter o crescimento da dívida e propunha a criação de um comitê para tratar políticas fiscal e monetária. Lara Resende também acusava "interesses" por trás das taxas elevadas do país.

Mesmo com o mercado parado no feriado, a discussão escalou nas redes sociais, envolvendo influenciadores de finanças e membros do Partido dos Trabalhadores (PT).

“Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. [...] Isso explica o nervosismo, apreensão, pânico, seja lá o que for, de seus agentes, pela simples notícia de que o presidente Lula poderia receber o economista André Lara Resende para uma conversa. Membros do governo já disseram que não tem nada disso. E se tivesse, qual é o problema? [...] Conversar, ouvir, é o básico da democracia, que defendemos e foi vitoriosa nas urnas”, escreveu a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) no X.

À CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o encontro estivesse sendo organizado.

Em paralelo, o economista José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente Lula à reeleição, distribuiu um texto na segunda-feira (2) celebrando "o fim do pensamento único" nos debates econômicos e rejeitando políticas de "austeridade contra o eleitor".

No documento de onze páginas, Gabrielli elogiou Lara Resende, considerado heterodoxo por sua ideia de tabelamento dos juros.

O ruído levou o PT a agir para frear especulações de que o governo Lula poderia endossar um "canetaço" na taxa de juros. Para isso, o presidente Lula tem buscado centralizar em Durigan o papel de porta-voz da política fiscal para o quarto mandato.

A jornalistas, o ministro da Fazenda afirmou nesta terça-feira (3) que um suposto tabelamento de juros ou queima de reservas cambiais não são medidas que estão sob a mesa.

Em entrevista ao CNN Money, o presidente da Inter.B Consultoria e ex-consultor do Banco Mundial, Claudio Frischtak, avaliou que a proposta de reduzir os juros "na marra" representa uma ideia que ele classifica como "péssima".

Frischtak destacou que o Brasil atravessa um momento de "certa fragilidade", marcado pelo aumento significativo do endividamento público e por perspectivas de arrefecimento do crescimento econômico no médio prazo.

“Contas públicas um pouco desorganizadas”, afirmou, acrescentando que esse contexto torna propostas que ampliam a incerteza sobre as políticas econômicas especialmente indesejáveis.

Com informações de Daniel Rittner, Danilo Moliterno e Isabel Mega, da CNN Brasil.

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