Entidades dizem que manutenção da Selic elevada dificulta retomada de investimentos
Organizações afirmam que o patamar elevado dos juros de referência compromete a retomada de investimentos e a competitividade da indústria e do comércio

Entidades do setor produtivo criticaram a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano, segundo a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central nesta quarta-feira (4). As organizações afirmam que o patamar elevado dos juros de referência compromete a retomada de investimentos e a competitividade da indústria e do comércio.
Em nota, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que a ausência de uma coordenação mais efetiva entre as políticas fiscais e monetárias contribuiu para manter a pressão sobre a inflação e restringe as condições para a redução da taxa básica de juros. O presidente da entidade, Flávio Roscoe, defendeu o equilíbrio das contas públicas e a recuperação da credibilidade fiscal para reverter o cenário.
“A falta de consistência na condução fiscal impõe custos elevados à economia. Com juros altos por mais tempo, o crédito fica mais caro, os investimentos são adiados e a indústria perde capacidade de crescer e competir. O país precisa de responsabilidade fiscal e de sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas públicas”, disse.
Roscoe considera que a manutenção de uma política fiscal expansionista, focada no gasto público, associada à adoção de medidas de curto prazo que ele classificou como “populistas”, dificulta o processo de desinflação. “Sem uma sinalização consistente de ajuste das contas públicas, tende a sustentar artificialmente a demanda e elevar os prêmios de risco”, disse.
A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) afirma que a manutenção da Selic é desfavorável para o setor de comércio e serviços. Embora reconheça a importância do controle da inflação, a entidade defende que é necessário avançar na redução dos juros diante dos impactos do crédito caro.
“Para o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, a manutenção da taxa prolonga as dificuldades para empresas e consumidores, justamente na preparação para a Black Friday e para o Natal, principal data de vendas do comércio. “Entendemos a preocupação com o controle da inflação, mas é preciso considerar os efeitos dos juros elevados sobre a economia. Uma redução gradual e responsável da Selic seria importante para melhorar as condições de crédito, estimular o consumo e dar mais fôlego às empresas”, afirma.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



