Banco Central eleva projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026
Autarquia destaca a surpresa no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre e projeta uma melhora para a atividade

O Banco Central elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (25). A autarquia destaca a surpresa no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, e projeta uma melhora para a atividade agropecuária e a indústria extrativa no restante do ano.
No primeiro trimestre, a economia brasileira cresceu 1,1%, de acordo com dados divulgados no final de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB alcançou a marca de R$ 3,3 trilhões entre janeiro e março. O crescimento foi classificado pelo BC como “elevado” e uma “surpresa positiva”.
O relatório ainda destaca que a revisão das projeções para o PIB refletem a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, em parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia. Ainda assim, com uma política monetária contracionista de juros a 14,25% ao ano, permanece a perspectiva de crescimento moderado.
“Setorialmente, a elevação na projeção de crescimento do PIB reflete melhora nas estimativas de desempenho da agropecuária, da indústria e dos serviços. A expansão esperada da agropecuária passou de 1,0% para 1,7%, impulsionada principalmente pela atualização das estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a produção agrícola, com destaque para o aumento nas previsões das safras de soja, milho e café”, disse o BC.
Apesar das boas projeções, a autoridade monetária destacou uma elevada incerteza em torno das projeções com os impactos da guerra no Oriente Médio. “Embora seus efeitos mais evidentes sobre a economia brasileira até o momento tenham se concentrado nos preços”, descreve o relatório.
Projeções para a inflação
As projeções de inflação apresentadas pelo relatório do BC também foram revisadas. Segundo a autarquia, as estimativas representam a visão do Comitê de Política Monetária (Copom) e são resultado da combinação da análise de conjuntura, da utilização de modelos e condicionamentos e da avaliação sobre o estado e perspectivas da economia.
Nesse caso, o BC projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai subir até o fim de 2026 e ficar mais de dois trimestres consecutivos acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta (3%, com um intervalo de 1,5 p.p para mais ou menos). A expectativa é de que a inflação volte a cair em 2027.
A projeção é para um IPCA de 5,2% no final de 2026, um aumento de 1,3 p.p em relação ao último relatório de política monetária. “A partir de então, volta a cair, chegando a 3,1% no último período considerado, referente ao quarto trimestre de 2028. No horizonte relevante de política monetária, atualmente o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é 3,7%”, destaca.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



