Arrecadação do governo federal bate recorde em 2025, com alta real de 3,65%

Arrecadação com impostos e tributos teve alta recorde, mas resultado também foi influenciado pelo desempenho da economia

Superintendência da Receita Federal, em Brasília.

A arrecadação do governo federal com impostos e outras receitas teve um aumento recorde em 2025, com um crescimento anual real de 3,65% em relação a 2024, já descontando a inflação. As receitas somaram R$ 2,9 trilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (22).

Os números também revelam o melhor desempenho arrecadatório para dezembro, quando as receitas alcançaram R$ 292,75 bilhões, um aumento de 7,46% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram celebrados pelo secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, que os classificou como “bonitos”. “Um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior”, disse.

Os dados são de valores administrados pela receita, como Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas, arrecadação previdenciária, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Programa de Integração Social e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins). Arrecadação com royalties e depósitos, não apurados pelo Fisco, também entram na conta.

Se considerado somente as receitas administradas pelo órgão do Ministério da Fazenda, os valores arrecadados em 2025 ficaram na ordem de R$ 2,76 trilhões, um aumento real de 4,27%. Em dezembro, esse número alcançou R$ 285,21 bilhões (+7,67%).

A alta foi impulsionada pelo aumento na alíquota do IOF, principal medida do governo federal para aumentar as receitas e fechar as contas públicas. A arrecadação do imposto somou R$ 86,48 bilhões de janeiro a dezembro de 2025, uma alta acumulada de 20,54%. Foi um incremento absoluto de R$ 14,7 bilhões.

Inicialmente, o governo previa um aumento de R$ 20,5 bilhões no caixa com o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o IOF, mas a medida foi derrubada no Congresso Nacional. A normativa chegou a ser judicializada no Supremo Tribunal Federal (STF), e parcialmente restabelecida pelo ministro Alexandre de Moraes.

A Receita ainda considera que os resultados foram influenciados pelo bom momento da atividade produtiva, principalmente no setor de serviços, que cresceu 2,72% até novembro de 2025. Por outro lado, a produção industrial avançou apenas 0,17% no período acumulado. Também houve um crescimento de 10,9% da massa salarial.

A arrecadação previdenciária aumentou 3,27%, a R$ 737,57 bilhões, em razão do aumento da massa salarial, que cresceu 10,9% da massa salarial no acumulado do período. A alta da arrecadação do PIS/Cofins em função também do desempenho das entidades financeiras e da taxação de serviços de bets foi de R$ 581,95 bilhões no ano passado, alta de 3,03% em relação a 2024.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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