O olhar do ‘turista aprendiz': Bob Wolfenson e a imersão sensorial na Amazônia

Nova exposição no Museu do Amanhã convida o público a um mergulho multissensorial pela maior floresta tropical do mundo sob as lentes de um dos maiores fotógrafos do Brasil

Exposição Presenças na Amazônia

Com 55 anos de carreira consolidados no universo da moda e do retrato, Bob Wolfenson decidiu “tirar os sapatos e pisar na floresta”. O resultado dessa jornada é a exposição “Presenças na Amazônia: um diário visual de Bob Wolfenson”, que ocupa o lounge do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, até o dia 10 de fevereiro.

Exposição

A mostra não é apenas uma galeria de fotos; é um experimento multissensorial. Ao percorrer os três eixos da exposição (A Floresta, Presenças e Luz Mágica) o visitante é envolvido por sons originais da Floresta de Carajás, fruto de uma pesquisa do Instituto Tecnológico Vale que analisou 16 mil minutos de áudio da biodiversidade. Para completar a imersão, o aroma de terra molhada permeia o ambiente, transportando o público diretamente para o coração do Pará.

Segundo a curadora Deca, a exposição percorre a relação entre o homem e a natureza em três momentos. Inicialmente, o eixo “Floresta” apresenta o impacto da exuberância natural sob a perspectiva de um fotógrafo urbano. Em seguida, “Presenças” explora a ocupação sustentável da região por meio de elementos como casas e embarcações, introduzindo a figura de “Seu Ladi” como elo para atividades educativas. O terceiro eixo reafirma a conexão com a mata por meio da icônica árvore Samaúma, culminando em “Luz Mágica”, que retrata o amanhecer no mercado e o fluxo comercial de produtos florestais que abastecem a cidade.

Bob Wolfenson

Em entrevista, Wolfenson se descreveu como um “observador curioso": “Meu processo não é excessivamente planejado. É a evolução, o encontro, o desconhecido e o que vem do outro”, revela. Acompanhado pela cantora Gaby Amarantos, o fotógrafo registrou desde a força bruta da Samaúma até o cotidiano de comunidades locais, como a Vila Guamá e o mercado Ver-o-Peso ao amanhecer. Segundo Gaby, Bob demonstrou um respeito profundo: “Ele realmente quis aprender, agindo como um turista aprendiz, e isso é o mais bonito na forma de adentrar a Amazônia”.

Não é a primeira vez que Bob visita a região, porém, afirma ter sido diferente: “Desta vez, foi realmente uma imersão. O que me encantou foi a força da floresta. Já havia testemunhado essa força, mas talvez o fato de ter permanecido mais tempo e de estar mais comprometido com um trabalho, com uma exposição subsequente, tenha me tornado mais rigoroso na observação.”

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Serviço

  • Onde: Museu do Amanhã (Praça Mauá, 1, Rio de Janeiro)
  • Quando: 15 de janeiro a 10 de fevereiro
  • Horário: 10h às 18h (exceto quartas-feiras)
  • Ingressos: A partir de R$ 20 (meia-entrada inclui acesso total ao museu)
Giovanna Damião é jornalista da televisão, digital e do rádio. Desde 2020 como social media e redatora na televisão e, mais recentemente, atuando como apresentadora e repórter da editoria de cultura. Com versatilidade no jornalismo, caminha pela música, eventos, esportes e entretenimento.

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