O cinema feito e exibido em Minas Gerais conquistou um dos selos de aprovação mais cobiçados do cenário artístico global. O Cine Humberto Mauro, localizado no Palácio das Artes em Belo Horizonte, é o tema central de um artigo na edição de março da prestigiada revista francesa Cahiers du Cinéma.
A publicação, que serviu de berço para mestres como Jean-Luc Godard e François Truffaut, incluiu a sala mineira em sua nova seção “Lieux de vie cinéphiles” (Lugares da vida cinéfila). O texto, assinado pela crítica Claire Allouche, coloca os holofotes sobre a democratização do acesso e a resistência cultural de um espaço que completa quase meio século de história.
O artigo de Allouche desconstrói a ideia de que a efervescência cinematográfica brasileira se restringe às metrópoles do litoral. Segundo a crítica, o Cine Humberto Mauro é um “ponto de referência fundamental”, destacando-se por sua programação gratuita e permanente, composta por mostras temáticas e monográficas que atraem um público fiel.
Vitor Miranda, Gerente de Cinema da Fundação Clóvis Salgado, celebra o reconhecimento: “Sermos elogiados pelas nossas curadorias e pelo nosso impacto social é uma evidência de que o trabalho é qualificado. É importantíssimo estarmos em uma revista que nasceu pelas mãos de grandes nomes e segue sendo mundialmente célebre.”
Fundado em 1978 e nomeado em homenagem ao pioneiro Humberto Mauro, o cinema continua sua missão de formação de repertório. Para quem deseja conferir, os meses de abril e maio de 2026 serão dedicados a dois ícones do cinema francês: François Truffaut e Agnès Varda.