Valdir Barbosa: Brasil ameaça reciprocidade contra UE se for mantido bloqueio às carnes
Em resumo, enquanto os órgãos jurídicos e de proteção do governo caminharem de mãos dadas, quem vai continuar pagando é o produtor e o consumidor

Amigas e amigos do Agro!
O governo brasileiro ameaça adotar práticas de reciprocidade contra a União Europeia, caso não revertida seja a decisão dos eurodeputados que bloquearam a entrada de carnes do Brasil no bloco a partir de ontem.
O governo já ameaçou adotar reciprocidade contra os Estados que sobretaxaram vários produtos agrícolas brasileiros e de outros setores, mas por enquanto nada, porque o prejuízo para o mercado brasileiro pode ser maior.
Agora vem o TCU - Tribunal de Contas da União - afirmando que não houve falhas do governo no caso com a União Europeia.
Segundo o TCU, “não há elementos para concluir, em análise preliminar, que os Ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores não adotaram medidas tempestivas para adequar o Brasil às exigências da União Europeia
Esse contrato entre os blocos foi assinado em 2019. A partir de abril desse ano vários alertas foram feitos pela União Europeia. E nenhuma providencia tomada, até porque o tempo hábil para correção havia se esgotado, principalmente para a carne bovina.
Aliás, foi tomada uma posição “bem brasileira”pelo governo. Proibiu-se a fabricação dos antimicrobianos citados pela União Europeia, entretanto, permitindo o comércio e seu uso até o dia 3 de setembro afim de esgotar os estoques que estavam no mercado.
Para encerrar, irlandeses tiveram no Brasil e constaram o uso dos antimicrobianos em algumas regiões e compraram livremente vários medicamentos em drogarias veterinárias sem a receita assinada por um veterinário.
Em resumo, enquanto os órgãos jurídicos e de proteção do governo caminharem de mãos dadas, quem vai continuar pagando é o produtor e o consumidor.
Valdir Barbosa
Itatiaia Agro
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



