Valdir Barbosa: além de bloquear carne bovina, UE quer produtos agrícolas sem defensivos
A soja surge como grande complicador para os europeus, porque garante a alimentação do gado, suínos, frangos e demais animais

Amigas e amigos do Agro!
O acesso dos produtos agrícolas brasileiros no mercado europeu está ficando cada dia mais difícil depois do acordo entre Mercosul e União Europeia.
A liberação de cotas maiores de carnes e frutas, principalmente, alertou os produtores rurais europeus que temem perder a disputa com os brasileiros.
A carne bovina estará bloqueada a partir do dia 3 de setembro e pode levar mais de 2 anos para ser liberada. Carnes de aves e mel tem um ciclo produtivo menor e podem entrar mais rapidamente.
Agora, a União Europeia vem com outras regras que poderão inviabilizar frutas, soja e outros grãos produzidos no Brasil. Os europeus estão rastreando resíduos químicos usados na agropecuária, tanto no plantio como na alimentação dos animais.
Essas regras vão atingir países do Mercosul, Estados Unidos, Marrocos, Canadá, China, Costa do Marfim e outros.
Se houver bloqueio no cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial, como os suíços e belgas vão fabricar os melhores chocolates do mundo?
E se a soja brasileira e americana não entrar na Europa, como serão alimentados os animais europeus, principalmente o gado de corte?
Defensores dos produtores agrícolas europeus e radicais que não aceitam o uso de produtos químicos nos alimentos, alguns fazem parte do comando europeu, e, estão promovendo um racha em Bruxelas.
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O radicalismo e a polarização estão se espalhando mundo afora e muitas vezes sem uma razão científica.
Entretanto, há o grupo de racionais que avaliam as regras da aplicação dos defensivos na agropecuária, bem como alertam sobre o risco de uma hiperinflação dos alimentos na Europa e até a falta de alguns em determinadas épocas do ano.
A Europa só tem uma produção agrícola por ano, porque o verão é curto. O resto do ano é muito frio e com neve, que matam os sinais de pragas nas lavouras.
Aqui é diferente! O clima incentiva a vida de todos os tipos de pragas e parasitas, por isso o combate tem que ser ativo.
Além do mais, o Brasil tem o privilégio de ter 2 e até 3 safras por ano possibilitando maior propagação de doenças
E o produtor não utiliza os defensivos em excesso porque são caros assim como os medicamentos de humanos nas farmácias.
Plantas e animais também estão expostos a várias doenças que podem destruir uma lavoura ou matar um rebanho bovino, ou transmitir doenças para os humanos!
Vamos aguardar a decisão oficial da União Europeia,
Valdir Barbosa, Itatiaia Agro.
Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.



