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Embrapa descobre nova bactéria e avança no combate ao 'mal do olho' em bovinos

Batizado de Moraxella tarda, o microrganismo foi identificado em rebanhos no Rio Grande do Sul

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Embrapa descobre nova bactéria e avança no combate ao 'mal do olho' em bovinos
Animal infectado com ceratoconjuntivite bovin; o lacrimejamento é um dos principais sintomas da CIB • Luísa Berg/ Embrapa

Uma pesquisa liderada pela Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo, resultou na identificação e descrição de uma nova espécie de bactéria: a Moraxella tarda. O microrganismo foi isolado a partir da mucosa nasal de bovinos da raça Hereford que apresentavam sintomas de Ceratoconjuntivite Infecciosa Bovina (CIB), uma enfermidade popularmente conhecida como "mal do olho" ou pinkeye.

A descoberta seguiu rigorosos parâmetros taxonômicos internacionais e teve isolados depositados nas coleções de referência BCCM/LMG (Bélgica), Culture Collection of Porto (Portugal) e no Instituto Adolfo Lutz (São Paulo).

Crescimento lento e identidade genética inédita

O processo de identificação começou em 2018 com coletas de campo na Embrapa Pecuária Sul (RS). Em seguida, análises bioquímicas e genômicas foram aprofundadas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite (MG) e Embrapa Gado de Corte (MS).

A denominação Moraxella tarda decorre da principal característica do agente: sua taxa de crescimento visivelmente mais lenta. Enquanto bactérias do mesmo gênero costumam responder em 24 horas, a nova espécie só exibia colônias visíveis após 48 horas de incubação. O sequenciamento de alta precisão revelou que o agente possui o menor genoma registrado para o gênero (1,8 milhão de bases) e apenas 77% a 79% de semelhança genética com espécies conhecidas, patamar bem abaixo do limite de 95% necessário para o enquadramento na mesma espécie.

Pesquisadora Emanuelle Gaspar com um animal infectado com ceratoconjuntivite infecciosa bovina • Luísa Berg/ Embrapa
Pesquisadora Emanuelle Gaspar com um animal infectado com ceratoconjuntivite infecciosa bovina • Luísa Berg/ Embrapa

Impacto no controle da doença e vacinação

A ceratoconjuntivite provoca dor, lacrimejamento e úlceras na córnea de bovinos taurinos, gerando perda de peso e prejuízos no rebanho. Historicamente associada à Moraxella bovis, a doença tem demonstrado um complexo microbiano mais amplo no campo, o que explica a variação na eficácia das vacinas atuais.

  • Vacinas polivalentes: como os imunizantes tradicionais são formulados apenas com agentes conhecidos, a inclusão da M. tarda e de outras variações mapeadas abre espaço para vacinas mais abrangentes.

  • Mapeamento em Minas Gerais: um projeto em parceria com a Fapemig já investiga surtos na bacia leiteira mineira para criar testes de diagnóstico rápido (qPCR) e imunizantes recombinantes.

  • Seleção genética: a identificação reforça as estratégias da Embrapa na seleção de animais geneticamente mais resistentes à enfermidade.

Utilizam-se suábes estéreis na coleta de material biológico, que posteriormente são isolados para a identificação das bactérias presentes nas cavidades ocular e nasal • Luísa Berg/ Embrapa
Utilizam-se suábes estéreis na coleta de material biológico, que posteriormente são isolados para a identificação das bactérias presentes nas cavidades ocular e nasal • Luísa Berg/ Embrapa

Pesquisa sem testes invasivos em animais

Financiada pelo CNPq, a próxima fase do projeto adota uma abordagem metodológica focada no bem-estar animal. Os pesquisadores utilizarão um modelo de cultivo de córneas coletadas em frigoríficos para analisar como o tecido ocular reage à infecção em nível molecular, eliminando a necessidade de induzir infecções experimentais em bovinos vivos.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.

 

 

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