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Tanto direita quanto esquerda vão rachadas para as urnas em Belo Horizonte

Coligação do Novo com Republicanos diminui possibilidade de aliança entre Zema e Bolsonaro no segundo turno

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Belo Horizonte já teve 45 prefeitos; a Itatiaia levantou todos os nomes que já concorreram ao cargo • PBH

A direita e a esquerda vão rachadas para as urnas em Belo Horizonte. Incialmente, a preocupação maior era das candidaturas de esquerda por causa da ausência de uma aliança entre os deputados federais Rogério Correia (PT) e Duda Salabert (PDT). Desde o início, o petista insistia para que a pedetista fosse vice na chapa dele e ela resistia afirmando que estava à frente nas pesquisas e que era Rogério quem deveria desistir. Dessa forma, já era esperado que os dois mantivessem candidaturas separadas, como ocorreu. Rogério, que é o candidato do presidente Lula e se aliou com a federação PSOL/Rede, apostava na unificaço com o PDT para canalizar o eleitorado de esquerda e aumentar as chances de segundo turno.

Direita rachada

No entanto, parte da direita tinha a expectativa de unir o governador Romeu Zema e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fazendo uma chapa entre o deputado estadual, Bruno Engler, e a ex-secretária de planejamento, Luisa Barreto (Novo). O esforço dos bolsonaristas não deu certo e o Novo se aliou ao Republicanos, apresentando Barreto como vice na chapa do deputado estadual Mauro Tramonte.

Zema e Kalil

A União entre o Novo e o Republicanos colocou Zema e o ex-prefeito Alexandre kalil, que saiu do PSD e foi para o partido de Tramonte, no mesmo palanque. A junção feita pra angariar votos pode ter um efeito desagregador no segundo turno. Isso porque, se houver segundo turno e Engler se mantiver na disputa, os bolsonaristas não devem aceitar apoio do Republicanos porque significa apoio do Kalil. E se Tramonte for para o segundo turno, não deve ter apoio da base de Bolsonaro por causa do ex-prefeito, que foi candidato de Lula ao Governo de Minas em 2022.

2026

A aliança pode ter impactos para a direita não apenas em um eventual segundo turno das eleições municipais, mas no cenário para 2026. O não apoio de Zema a Bruno Engler foi mal visto pela base de Bolsonaro e o apoio de Cleitinho a Bruno Engler não caiu tão bem no Republicanos. Com isso a possibilidade de uma mudança de Cletinho para o Novo, que chegou a ser ventilada, fica mais distante. Ao passo que ele fica mais perto do PL, de Bolsomaro, que possivelmente terá o deputado federal Nikolas Ferreira como candidato em 2026.

Simões

Com Cleitinho longe do Novo, o espaço permanece livre para o vice-governador Mateus Simões disputar como sucessor de Zema. E com Cleitinho perto do PL, o Partido Liberal tem dois nomes para disputa ao Governo de Minas: Cleitinho e Nikolas. Dentre as configurações possíveis, a legenda teria que escolher um dos dois ou lançar uma chapa puro sangue.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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