Pressão para assinatura do acordo no Brasil coloca Mariana em 'sinuca de bico'
Algumas partes do acordo pressionam prefeito para aderir à repactuação de imediato. Adesão da cidade mais afetada é considerada peça chave para legitimidade do acordo

A anuência da cidade de Mariana para o acordo que será assinado nesta sexta-feira (25) no Brasil tem sido alvo de várias reuniões ao longo das últimas horas. A coluna apurou que autoridades e até mineradoras fazem questão da adesão de Mariana à repactuação no dia da assinatura. Como o município foi o mais atingido e também o local de origem do desastre, ter o aval inicial da prefeitura para o acordo seria uma forma de dar legitimidade à negociação.
Para os prefeitos que defendem a ação movida na justiça em Londres, a adesão de Mariana ao acordo brasileiro impacta negativamente a ação internacional. Dos R$ 230 bilhões pedidos em indenização, R$ 28 bi seria para a cidade onde fica a sede da Samarco. No acordo brasileiro, o valor assegurado é de R$ 2,4 bi, sendo metade para investimento na saúde e a outra metade para investimento livre.
O atual prefeito Celso Cota tende a assinar o acordo, mas o prefeito eleito, Juliano Duarte, irmão do ex-prefeito Duarte Junior, que assume em janeiro do ano que vem, é contra a assinatura da repactuação. Juliano considera que o acordo é "ruim para Mariana", visto que o valor é dez vezes menor e o pagamento será concluído em 20 anos.
As prefeituras terão prazo de algumas semanas para adesão ao acordo. Se assinar nesta sexta-feira, Celso Cota agirá na contramão do que deseja seu sucessor.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



