O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, participa nesta quarta-feira (13) da comissão especial da Câmara dos Deputados que discute o fim da escala seis por um. A audiência acontece já na reta final dos trabalhos do colegiado e deve ampliar a pressão política para votação da proposta ainda neste mês.
Boulos deve defender a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial e reforçar o discurso do governo em favor dos impactos sociais da medida. A audiência está prevista inicialmente para as duas da tarde, mas pode ocorrer às quatro e meia, segundo o presidente da comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP).
Na véspera do encontro, o ministro criticou setores do empresariado que apontam riscos econômicos com o fim da escala seis por um. Segundo Boulos, existe um “terrorismo econômico” semelhante ao que ocorreu historicamente durante debates sobre direitos trabalhistas como férias remuneradas, décimo terceiro salário e jornada de oito horas.
A audiência também contará com a participação do presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Bob Evaristo Carvalho, da diretora técnica do Dieese, Adriana Marcolino, e do fundador do Movimento Vida Além do Trabalho, Rick Azevedo.
A presença de Boulos dá continuidade às discussões iniciadas nesta terça-feira (12), quando a comissão recebeu o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Durante o debate, Durigan afirmou ser “radicalmente contra” compensações fiscais para empresas em troca da redução da jornada de trabalho. Hoje, esse é o principal ponto de divergência dentro da comissão. Enquanto parte dos parlamentares defende incentivos ao setor produtivo para minimizar impactos econômicos, integrantes do governo resistem à ideia de criar benefícios fiscais para empresas.
O relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos -BA), deve apresentar o parecer no próximo dia 20. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, articula para levar o texto ao plenário em dois turnos até o fim de maio.
A comissão especial analisa duas propostas que tramitam em conjunto na Câmara: uma apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e outra protocolada no ano passado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Ambas defendem a redução da jornada sem perda salarial para os trabalhadores.