Por que o secretário de Educação de MG caiu e quem entra no lugar?
Igor Alvarenga foi comunicado, nesta terça-feira (15), que deixará o cargo. Entra no lugar dele Rossiele Soares, ex-secretário da pasta no Pará

O secretário de Educação de Minas Gerais, Igor Alvarenga, foi comunicado, nesta terça-feira (15), de que deixará o cargo, conforme a Itatiaia adiantou. Ele ocupa a cadeira desde agosto de 2022. Alvarenga estava em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, quando foi chamado para uma reunião presencial, no final da manhã, com o vice-governador Mateus Simões.
A coluna foi informada, ainda de manhã, de que poderia se tratar de um comunicado de demissão. Na parte da tarde, a informação se confirmou, conforme a Itatiaia já havia noticiado. Segundo interlocutores de Igor, ele foi avisado de que, no final do mês, Rossieli Soares, ex-secretário de Educação do Pará, chegará para comandar a secretaria em Minas.
Nos bastidores, episódios polêmicos da trajetória de Rossieli têm sido lembrados por aqueles que defendem a permanência de Igor na pasta.
Polêmica
Rossieli Soares foi ministro da Educação no governo Michel Temer e secretário de Educação dos estados do Amazonas, São Paulo e Pará. Rossieli pediu exoneração do governo de Helder Barbalho, em junho, alegando "missão cumprida". Durante sua gestão, o estado teve um salto no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), mas sua saída ocorreu após uma crise em que o prédio da secretaria foi ocupado por manifestantes.
Eles ficaram por mais de um mês no edifício, protestando contra uma lei elaborada por Rossieli que autorizava aulas a distância para indígenas, quilombolas e comunidades do campo. A ministra Sônia Guajajara se posicionou contra a medida, ampliando o desgaste político em um ano em que o estado sediará a COP 30.
Defensores de Alvarenga, contrários à troca, relembram que Rossieli chegou a ser condenado, em 2017, pelo Tribunal de Contas do Amazonas, a devolver R$ 2,2 milhões por obras pagas que não teriam sido executadas. No entanto, ele recorreu da decisão.
Motivo da demissão de Igor
O motivo da demissão de Igor ainda não foi esclarecido. Uma das fontes da coluna afirmou que se tratou de uma “decisão de governo” e que o governador Romeu Zema já havia cogitado a possibilidade de trazer o secretário do Pará em anos anteriores. Há cerca de dois anos, a troca de Igor também foi cogitada, mas, após alavancar entregas na área, ele foi mantido no cargo. O governo ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
O vazamento da informação sobre a demissão, que ainda não foi oficializada, gerou comoção na internet e a campanha #FicaIgor nas redes sociais de Zema e Simões. Superintendentes de Educação e o Sindicato de Estabelecimentos Particulares (Sinepe) também se manifestaram pela permanência do atual secretário.
Resposta de Rossiele
Após a publicação desta coluna, Rossiele Soares, que havia sido procurado no dia anterior, se manifestou por meio de nota. Apesar de a lei ter sido revogada, justamente por causa das polêmicas, como mostra o link (leia aqui) da própria Assembleia Legislativa do Pará, o secretário afirma que a informação é incorreta. "Primeiramente, é absolutamente falsa a afirmação de que a Lei Estadual nº 10.820, do Pará, teria autorizado aulas a distância para indígenas, quilombolas e comunidades do campo. A referida legislação, que já foi revogada, em nenhum momento tratou desses grupos específicos, tampouco estabeleceu qualquer política de educação a distância voltada a essas populações. A insinuação de que houve tal iniciativa é uma grave distorção da realidade e desinforma o público sobre um tema sensível e relevante", disse o secretário.
Sobre o segundo ponto citado na coluna, de que o secretário havia sido condenado em primeira instância e recorreu, apesar da precisão das frases, a nota também pede correção da informação e acrescenta que a decisão inicial foi revertida. "Em relação ao segundo ponto, também é incorreta a afirmação de que Rossieli Soares teria sido condenado a devolver R$ 2,2 milhões pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM). Rossieli apresentou recurso à época, e a prestação de contas anual da Secretaria de Educação foi aprovada pelo Tribunal, que reconheceu a regularidade das despesas. Não houve qualquer devolução de recursos nem condenação definitiva. A menção à suposta condenação desconsidera a decisão final do próprio TCE-AM e induz o leitor ao erro", diz a nota.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.
