Estabilidade democrática do Brasil está nas mãos de 2 ministros do STF: Cármen Lúcia e Fachin
Os votos dos dois podem determinar a abertura de investigação contra Moraes

A estabilidade democrática do Brasil, neste momento, está nas mãos de dois ministros do Supremo Tribunal Federal: Cármen Lúcia e Edson Fachin, presidente da Corte. A crise no STF, que se aprofunda a cada dia, tem gerado uma guerra entre os Poderes e, internamente, nas instituições. No Parlamento, por exemplo, é travada uma batalha entre os senadores e deputados que defendem o impeachment de ministros do Supremo e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União), que se recusa a colocar os pedidos em tramitação.
Neste domingo, o ministro André Mendonça liberou para julgamento no plenário da Corte o relatório da Polícia Federal com as mensagens que vieram a público no início da semana, ligando o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ainda mais ao ministro Alexandre de Moraes e envolvendo também o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e o chefe da Polícia Federal, Andrei Fernandes.
Possível formação de votos
Nos corredores do STF, desenha-se a formação para uma possível votação: Luiz Fux e Kassio Nunes Marques são dados como votos certos para acompanhar o ministro relator, André Mendonça, pela abertura de uma investigação. Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes votariam contra.
Dias Toffoli deve alegar suspeição e não participar da votação, sob o mesmo argumento que o levou a desistir da relatoria do Caso Master: a suspeita de envolvimento com os investigados.
Peças-chave
Outros dois ministros, que ainda são uma incógnita, podem exercer papel fundamental nesse processo: Cármen Lúcia e Edson Fachin.
Fachin
Fachin é peça-chave em dois momentos cruciais. O primeiro é decidir se coloca ou não, e quando, na pauta o pedido de investigação contra Moraes. O segundo é a forma como vai se posicionar na votação. Nos bastidores da Corte, a aposta é que, além de pautar o pedido, ele vai votar pela abertura da investigação. É como se a crise colocasse o presidente da Corte diante da obrigação moral de tomar alguma providência para disciplinar os pares e dar uma resposta à sociedade.
Um posicionamento recente de Fachin para tentar conter as crises foi a defesa e o início do processo para a criação de um Código de Conduta no Supremo Tribunal Federal, mesmo sem agradar a todos os seus pares.
A expectativa é que ele adote postura semelhante à adotada em 2017, quando, após a morte de Teori Zavascki, assumiu a relatoria dos processos da Lava Jato no STF e, no princípio, teve uma postura favorável à continuidade das investigações e à validação de instrumentos utilizados pela operação.
Atualmente, Fachin tem se colocado contrário ao inquérito das Fake News, relatado por Moraes. E, desde que assumiu a presidência da Corte, no início do ano, tem defendido medidas para melhorar a imagem do Supremo, prezar pelas decisões colegiadas e respeitar os limites constitucionais.
Cármen Lúcia
Cármen Lúcia é conhecida por sua autonomia e sensatez. A ministra disse à CNN, como relatou Daniel Rittner, que não aceitará pressões. Cármen Lúcia tem deixado claro que seus votos serão baseados exclusivamente nos autos do processo e não serão influenciados por pedidos de qualquer ala do STF.
Caso Fachin vote pela abertura da investigação contra Moraes, a votação ficará três a três, e Cármen Lúcia será o voto de minerva, ou seja, o de desempate. Historicamente, a ministra tem sido rigorosa contra a corrupção e não aceita métodos processuais que considere incompatíveis com a Constituição. Relatora da ação que questiona as mudanças feitas pelo Congresso em 2025 na Lei da Ficha Limpa, ela avalia as flexibilizações feitas pelo Parlamento como um retrocesso. A ministra é contrária ao afrouxamento das consequências eleitorais para políticos condenados.
Inércia
A abertura da investigação pode ser determinante para os ânimos da população e para o relacionamento entre os Poderes. A não resposta pode demonstrar uma inércia do tribunal diante da crise e tornar a cobrança popular e a postura do Parlamento mais incisivas diante do caos, o que pode ter reflexos inclusive nas urnas, favorecendo ainda mais políticos que trabalham a pauta anti-STF.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



