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Apreensão no Congresso: “Farra das Emendas” pode detonar escândalo maior que os Anões do Orçamento

Lideranças partidárias temem que as investigações sobre falta de transparência no repasse de emendas afete eleições para presidência da Câmara e do Senado

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A fachada do Congresso Nacional em Brasília
A fachada do Congresso Nacional em Brasília • Agência Brasil

Líderes partidários na Câmara e no Senado afirmaram à coluna temem que as investigações sobre a 'farra das emendas parlamentares" no Congresso Nacional alcancem partidos grandes e nomes fortes da política e afetem as eleições para a presidência das casas parlamentares. Os pleitos estão marcados para o início do mês que vem. A princípio, Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos), são nomes certos para o Senado e a Câmara.

As investigações sobre a falta de transparência no repasse de emendas estão avançando a todo vapor e podem atingir em cheio partidos da base e da oposição. Em dezembro, foi bloqueado o repasse de R$ 4,2 bilhoes, mas o valor anual pago em emendas ultrapassa R$ 50 bi. Por deputado são aproximadamente R$ 60 milhões por ano e por senador o valor é de R$ 90 mi.

Organização crimiminosa

Uma operação, deflagrada no ano passado, detonou um esquema de fraude em licitação e pagamento de propina para realização de obras na Bahia, que eram feitas com recursos de emendas. A investigação identificou transporte de dinheiro até de jatinho.

Ao todo a movimentação total de recursos ultrapassou R$ 1,4 bilhão de reais Dezessete empresários, vereadores e servidores públicos são acusados de participar da Organização Criminosa. No entanto, a primeira operação não comprovou a participação de políticos nas irregularidades.

Como Câmara e Senado, por enquanto, não conseguiram responder à contento os questionamentos do Supremo Tribunal Federal sobre a transparência, o temor de vários deputados e senadores é que a investigação esteja avançando rapidamente rumo aos nomes da política.

Anões do orçamento

Duas fontes coluna disseram que o receio é que haja um desgaste forte da imagem do parlamento, já que o escandâlo pode ser maior que o do esquema que ficou conhecido como Anões do Orçamento.

Em 1993, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de grande repercussão revelou um grupo de deputados envolvidos em fraudes com recursos do Orçamento da União. Eles ficaram conhecidos como "anões" porque os principais envolvidos eram parlamentares do "baixo clero", ou seja, menos influentes.

Gigantes do orçamento

A diferença entre o escândalo anterior e o temido por líderanças da atualidade é que o valor e a estatura política dos envolvidos em irregularidades sejam bem maior que os da década de 90.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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