A estratégia de Cleitinho e Falcão para potencializar a campanha no interior do Estado
Defensores da pauta municipalista, candidatos intensificam encontros com prefeitos

A campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) e seu vice, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), deixa cada vez mais evidente onde pretende construir uma de suas principais forças eleitorais: nos municípios.
O encontro desta quinta-feira (10), em Belo Horizonte, com mais de cem prefeitos mineiros é um movimento que vai além da fotografia política. É uma tentativa de transformar a capilaridade do interior em estrutura eleitoral.
A estratégia faz sentido pela própria trajetória dos candidatos. Falcão, por exemplo, foi prefeito de Patos de Minas e presidiu a Associação Mineira de Municípios (AMM), onde construiu uma rede de relacionamento com gestores de diferentes regiões.
A chapa, portanto, tenta apresentar como ativo eleitoral justamente aquilo que seus adversários podem ter mais dificuldade de oferecer: uma conexão direta com o cotidiano das prefeituras.
Pacto federativo
O discurso escolhido também não é casual. Ao assumir a pauta municipalista defendida por Falcão, Cleitinho tenta transformar uma reclamação recorrente dos prefeitos em bandeira de campanha: municípios recebem cada vez mais responsabilidades, mas nem sempre os recursos necessários para executá-las.
Aposta no interior
“A gente vai reduzir o custo dos prefeitos também, porque a gente sabe que muitos órgãos hoje que estão no Estado, como o Falcão disse, que a competência do Estado está sobrando para vocês”, afirmou Cleitinho. A frase resume uma proposta que pode ter forte apelo no interior: diminuir o peso financeiro sobre as prefeituras e ampliar a autonomia municipal.
“Os problemas estão nos municípios. Eu quero diminuir o Estado e fazer os municípios maiores, principalmente dentro do interior”, disse.
Falcão, por sua vez, procura transformar sua experiência à frente de uma prefeitura e da AMM em credencial política. A aposta é apresentar a chapa não apenas como uma candidatura com apoio de prefeitos, mas como uma candidatura que conhece, por dentro, as dificuldades enfrentadas por eles.
“A única chapa com governador que mora no interior e vice que mora no interior é essa chapa aqui. Governador e vice do interior. A única chapa que convidou um prefeito para ser vice é essa aqui. Eu acho que isso diz muito”, afirmou.
A presença de gestores de diferentes partidos é outro ponto que merece atenção. Em uma eleição marcada por alianças partidárias e disputas nacionais que frequentemente contaminam o debate estadual, Cleitinho e Falcão tentam construir uma relação que atravesse as siglas. Para a chapa, a lógica é simples: o prefeito pode ter uma preferência partidária, mas precisa entregar resultados para a população. Cleitinho, comumente, relembra que destinou emendas para prefeitos de partidos de esquerda e de direita.
Cabo eleitoral
Há, nesse movimento, uma segunda estratégia. Prefeito não é apenas liderança política; é também uma das principais portas de entrada de uma campanha no interior. É quem conhece vereadores, lideranças comunitárias, empresários, produtores rurais e os problemas específicos de cada cidade. Ao pedir que os gestores tragam outros prefeitos para seu lado, Cleitinho deixa claro que pretende transformar esse relacionamento em uma rede de mobilização.
“Vocês vão virar voto de prefeito agora, trazer os prefeitos para o nosso lado”, afirmou. A mensagem revela o tamanho da aposta. Não basta conquistar o apoio de prefeitos. É preciso que eles se tornem agentes de campanha.
Rede
E, ao prometer manter essa proximidade em um eventual governo — “Quem estende uma mão para você, você estende duas. Eu tenho gratidão” —, Cleitinho tenta antecipar uma das principais cobranças que costumam surgir durante uma campanha: o que acontece depois da eleição.
No fim das contas, a estratégia está clara. Se a eleição para o governo de Minas for decidida também pela capacidade de mobilizar o interior, Cleitinho e Falcão querem chegar à disputa já com uma rede construída — prefeito por prefeito, município por município.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



