Ex-integrante do PT e personagem chave para a criação de outros dois partidos, (PSOL e REDE), a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ) não poupou críticas ao atual governo, como de costume. Mas mesmo em meio as controversas do governo petista, a deputada - que já foi senadora disputou a presidência da república há 20 anos - diz não acreditar que o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, representado por seu filho, Flávio Bolsonaro, consiga vencer a próxima eleição presidencial.
Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (12), a parlamentar afirmou que mantém postura crítica independentemente de quem esteja no poder e citou medidas do atual governo que, segundo ela, afetam políticas sociais e investimentos públicos.
Entre os exemplos mencionados pela deputada estão a suspensão de benefícios do BPC (Benefício de Prestação Continuada), a fila de espera no INSS e cortes em áreas como universidades e Previdência.
“Se fosse o governo passado que suspendesse 150 mil BPC de crianças pobres, que tivesse três milhões de pessoas na fila do INSS ou que tirasse 500 milhões das pesquisas das universidades e seis bilhões da Previdência, da assistência social e da segurança pública, eu ficaria calada? Não”, afirmou.
Mas quem deve ganhar?
Apesar das críticas ao governo Lula, a deputada afirmou não ver força eleitoral suficiente no campo político representado por Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Bolsonaro.
“Eu sinceramente não acredito que o grupo do Bolsonaro possa vencer o processo eleitoral. Eles tiveram a grande oportunidade deles e promoveram situações extremamente dramáticas para o povo brasileiro”, disse a deputada, citando especialmente a atuação do governo Bolsonaro durante o período da pandemia.
Ao comentar o cenário político, Heloísa Helena criticou o que chamou de “idolatria política” no país e afirmou que o debate público tem se concentrado excessivamente em disputas personalistas.
Segundo ela, a polarização impede a discussão de temas estruturais para o país, como o controle de recursos naturais, a política econômica e a ampliação de políticas sociais. Para a deputada, o debate eleitoral deve voltar a ser ocupado pelas propostas que promovam melhores condições de vida da população.
“Espero que as candidaturas possibilitem que os setores progressistas apresentem modelos de nação e políticas públicas que melhorem a vida concreta da grande maioria das pessoas”, afirmou.