Guerra: a estratégia de Lula que Bolsonaro já adotou e que pode revoltar governadores

Petista quer que governadores cortem no ICMS

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Para tentar minimizar o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã no preço dos combustíveis e na inflação no Brasil, o governo anunciou medidas para contenção de preços em uma verdadeira operação que pode, inclusive, diminuir os prejuízos eleitorais de um possível impacto global na economia.

Há duas semanas, quando o conflito começou, adiantávamos na coluna que os petistas estavam preocupados com a variável econômica no cálculo das eleições. Enquanto isso, a oposição ligada à base bolsonarista já dava como certo o prejuízo. No PT, aliados de Lula defendiam uma intervenção maior da Petrobrás para que a demanda externa por Petróleo não aumentasse o preço nas bombas por aqui.

Na estratégia, Lula sugeriu - embora sem obrigação ou projeto de lei - uma ferramenta adotada por Bolsonaro na Pandemia. Logo após zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização, o presidente pediu que governadores reduzam o ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre os combustíveis.

A medida é uma forma de distribuir o prejuízo entre os entes federados, mas tem um efeito colateral que depois será cobrado, como aconteceu com Bolsonaro. O corte no ICMS derruba a arrecadação de estados e municípios e em ano eleitoral. Agora é esperar para ver se haverá adesão ou se os governadores vão resistir. Se isso acontecer, certamente, eles serão acusados pelos petistas de não colaborarem para conter a alta de preços.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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