Para tentar minimizar o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã no preço dos combustíveis e na inflação no Brasil, o governo anunciou medidas para contenção de preços em uma verdadeira operação que pode, inclusive, diminuir os prejuízos eleitorais de um possível impacto global na economia.
Há duas semanas, quando o conflito começou, adiantávamos na coluna que os petistas estavam preocupados com a variável econômica no cálculo das eleições. Enquanto isso, a oposição ligada à base bolsonarista já dava como certo o prejuízo. No PT, aliados de Lula defendiam uma intervenção maior da Petrobrás para que a demanda externa por Petróleo não aumentasse o preço nas bombas por aqui.
Na estratégia, Lula sugeriu - embora sem obrigação ou projeto de lei - uma ferramenta adotada por Bolsonaro na Pandemia. Logo após zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel para importação e comercialização, o presidente pediu que governadores reduzam o ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre os combustíveis.
A medida é uma forma de distribuir o prejuízo entre os entes federados, mas tem um efeito colateral que depois será cobrado, como aconteceu com Bolsonaro. O corte no ICMS derruba a arrecadação de estados e municípios e em ano eleitoral. Agora é esperar para ver se haverá adesão ou se os governadores vão resistir. Se isso acontecer, certamente, eles serão acusados pelos petistas de não colaborarem para conter a alta de preços.