Itatiaia

Mpox: saiba sobre transmissão, tratamento e história da doença

Por
Mpox causa irrupções na pele
Mpox causa irrupções na pele • Reprodução

Está difícil acompanhar as doenças que vão e vêm no cenário brasileiro. Na verdade, algumas nunca foram embora, apenas tornam-se notícia quando apresentam um crescimento de casos. Ora é dengue, chikungunya, oropouche, monkeypox, covid-19, influenza, zika, DHT (doenças transmitidas por alimentos e água). E, para piorar, várias têm sintomas iniciais muito parecidos – o que dificulta o diagnóstico precoce.

Dessa vez, vamos falar da monkeypox. O Ministério da Saúde já registrou, em 2026, cerca de 140 confirmações, em São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Até o momento, não confirmou óbitos. Cerca de 93% dos casos ocorreram em pessoas do sexo masculino, com faixa etária entre 30 e 39 anos.

Um pouco de história

A doença é bastante antiga no mundo. Desde a identificação do vírus monkeypox, no ano de 1958, diversos surtos foram notificados no globo. Um surto em 2022 alcançou grande distribuição mundial: 8.500 casos, em 58 diferentes países. Em 2024, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência internacional da MPOX.

O Brasil registra casos, desde 2022, quando apresentou o pior cenário: 10.839. No ano passado, foram registrados no país 1.094 casos e 2 mortes.

O MPOX vírus (MPXV), do gênero Orthopoxvirus e família Poxviridae, é o responsável pelas infecções. A doença recebeu, inicialmente, o nome varíola dos macacos, o que foi um erro, pois esses primatas não têm relação com a cadeia de transmissão. Embora ainda não se saiba ao certo, entidades internacionais acreditam que pequenos roedores, como alguns esquilos das florestas tropicais da África Central e Ocidental, convivam naturalmente com esse vírus.

Como desconfiar da doença?  

Dor de cabeça, linfondos (ínguas), calafrios, sensação de fraqueza, febre, dores no corpo são alguns dos sintomas iniciais da doença, que também são comuns a diversas patologias, dificultando o diagnóstico precoce.

O diferencial são as lesões de pele, tipo bolhas com líquido claro ou amarelado, que evoluem para crostas, cascas que se desprendem no fim do processo. As lesões aparecem dentro de um a três dias após o início da febre. Tendem a se concentrar no rosto, na palma das mãos e na planta dos pés, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo, até mesmo em áreas genitais e ânus.

O período de incubação (tempo entre o contato com o vírus e o início dos sintomas) varia de 3 a 16 dias, podendo chegar a 21 dias. Geralmente, os casos evoluem de forma leve a moderada e podem durar de 2 a 4 semanas.

Deve-se dar atenção especial para quem possui maior risco de complicações: pessoas vivendo com HIV/Aids, gestantes, transplantados, pacientes oncológicos, crianças e idosos.

Como transmite?

Pelo contato direto com feridas e fluidos corporais, objetos contaminados (tolhas, roupas, lençóis, talheres) e proximidade com os doentes, por gotículas respiratórias).

Os casos são monitorados pelas entidades de saúde locais. Há protocolos de atendimento e fluxos desenvolvidos pelo Ministério da Saúde. O SUS oferece exame para diagnóstico e vacinação direcionada para grupos de maior risco (alguns casos confirmados e pessoas que tiveram contato), desde 2023.

A notificação é obrigatória para profissionais de saúde e deve ser realizada em até 24 horas no sistema e-SUS Sinan, conforme a Portaria GM/MS nº 3.328, de 22 de agosto de 2022.

Ao notar sinais da doença, procure uma unidade de saúde e evite contato próximo com outras pessoas.

Existe tratamento?

Atualmente, não há medicamento específico para a doença. O tratamento é baseado no alívio dos sintomas e verificação de gravidade para assistência em casos de complicações. Os casos confirmados devem ficar em isolamento domiciliar até que todas as lesões na pele tenham cicatrizado e formando nova camada de tecido saudável – o que pode durar cerca de 4 semanas. O paciente deve se manter, se possível, em um quarto separado e usar um banheiro exclusivo. O Ministério da Saúde destina vacina para casos específicos. 

Situação da Mpox no Brasil

  • 2022: início do surto com alto número de notificações, 10.839 confirmações;
  • 2023: período de estabilização e redução dos casos, fechando o ano com 846 confirmados;
  • 2024-2025: notificação de 3.161 confirmações.
Por

Fabiana de Lemos é jornalista e médica. Membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Trabalhou no Caderno Gerais do Jornal Estado de Minas, de 1997 a 2003. Foi concursada da Prefeitura de Belo Horizonte e atuou como médica no SUS, de 2012 a 2018. Foi professora de Medicina pelo UniBH, até 2023. Atualmente, atende em consultório.

 

 

Belo Horizonte