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HackTown chega à 10ª edição celebrando a força de Minas para transformar educação em inovação

Festival em Santa Rita do Sapucaí estreia o HackEdu e reforça como a união entre educação, tecnologia e ecossistemas locais transforma o desenvolvimento do estado

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Hacktown acontece há 10 anos em Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas • Divulgação

Santa Rita do Sapucaí volta a se transformar em um dos principais pontos de encontro da inovação brasileira. Em sua 10ª edição, entre os dias 3 e 7 de setembro, o HackTown projeta reunir cerca de 15 mil participantes por dia, mil palestrantes, centenas de startups, investidores e grandes empresas, espalhando tecnologia, negócios, cultura, música e criatividade por diferentes espaços da cidade do Sul de Minas.

O Órbi acompanha essa história e, no ano em que o HackTown completa uma década, essa conexão ganha um novo capítulo com o HackEdu, espaço dedicado a uma questão cada vez mais urgente: como formar seres humanos capazes de viver, aprender e liderar em um mundo no qual as máquinas também aprendem?

A discussão combina com o lugar onde acontece. Antes de se tornar conhecida como Vale da Eletrônica, Santa Rita do Sapucaí começou a construir sua vocação tecnológica pela educação. Em 1959, Sinhá Moreira fundou na cidade a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa (ETE), reconhecida como a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina.

Décadas depois, Santa Rita, uma cidade de cerca de 40 mil habitantes, reúne mais de 200 empresas de base tecnológica e construiu um ecossistema que atrai empreendedores, profissionais e talentos de diferentes lugares do país. É difícil encontrar exemplo mais concreto de como educação, tecnologia e articulação de um ecossistema podem transformar o destino de uma cidade. E essa é uma história profundamente mineira.

HackEdu: da criança ao líder

O HackEdu é o espaço do HackTown para repensar a educação em um mundo onde máquinas também aprendem. A programação percorre diferentes momentos da formação humana, começando pela infância e chegando à liderança. Coloca em discussão o brincar como forma de aprender, os impactos da inteligência artificial sobre crianças e jovens, superdotação e inclusão, o futuro da escola pública, curiosidade e aprendizagem contínua, além de novas formas de liderar.

É uma jornada guiada por uma pergunta: como formamos seres humanos capazes de viver, aprender e liderar em um mundo que está mudando radicalmente?

Essa é uma das questões mais importantes deste momento. A inteligência artificial já consegue escrever, programar, produzir imagens, analisar grandes volumes de dados e encontrar padrões em uma velocidade impossível para um ser humano. Nesse contexto, formar pessoas não pode significar apenas transmitir informação. Curiosidade, pensamento crítico, criatividade, capacidade de fazer boas perguntas, colaboração, repertório e discernimento passam a ter ainda mais valor.

Educação que transforma cidades

Educação virou conhecimento, conhecimento gerou empreendedorismo, o empreendedorismo ajudou a transformar o território. O HackTown é hoje parte desse processo. Em vez de acontecer dentro de um grande centro de convenções, o festival ocupa Santa Rita. Escolas, cafés, bares, praças, restaurantes e diferentes estabelecimentos tornam-se espaços de encontros, palestras, apresentações e experiências.

“Enquanto a maioria dos eventos de tecnologia foca no networking transacional, o HackTown abraça o inesperado. O ‘fora do óbvio’ está na curadoria, que coloca cientistas da computação, artistas urbanos e CEOs globais em um ambiente diverso para trocar ideias horizontalmente pelas ruas e espaços da pequena cidade mineira. A proposta é desacelerar para se conectar de verdade”, afirma André Veloso, head de marketing do festival.

Esse caráter também aparece na programação, que funciona como um mosaico de experiências simultâneas projetadas para provocar o pensamento e os sentidos. As trilhas de conhecimento passam por temas como Web3, computação quântica, biotecnologia e tecnologias emergentes, enquanto o HackTown Music, as experiências gastronômicas e a agenda cultural ajudam a transformar o encontro em um festival de rua.

“O HackTown não é um lugar onde você deixa a sua vida pessoal na porta de entrada. É um espaço para passear com as crianças na praça, assistir a uma palestra de alto nível, ouvir uma banda nova e jantar com a família no mesmo dia, sem a correria das grandes metrópoles”, destaca André Veloso..

Minas precisa olhar mais para Minas

Os dez anos de HackTown também oferecem uma oportunidade para reconhecer a potência dos movimentos construídos no estado. Quando falamos sobre grandes ecossistemas de inovação, é comum recorrermos imediatamente a referências internacionais. Vale do Silício, Austin, Lisboa e tantos outros lugares aparecem frequentemente como modelos. Eles têm muito a ensinar. Mas Minas também tem histórias para contar.

Tem Santa Rita do Sapucaí e o Vale da Eletrônica. Tem o San Pedro Valley, que ajudou a projetar nacionalmente a comunidade de startups de Belo Horizonte. Tem universidades, centros de pesquisa, empresas, startups, hubs, festivais e comunidades empreendedoras espalhadas pelo estado. E os números começam a demonstrar a dimensão desse movimento.

“Não são movimentos iguais. E não precisam ser. As forças de Minas estão justamente na capacidade de cada território encontrar sua própria vocação e, ao mesmo tempo, construir pontes com os demais”, afirma Francis Aquino, diretora do Órbi ICT. 

É essa lógica que também inspira o trabalho do Órbi em Belo Horizonte. Criado em 2017, o Órbi nasceu dentro desse movimento mineiro de inovação. Hoje, atua como Instituto de Ciência e Tecnologia (ICT), ampliando sua capacidade de desenvolver projetos de ciência aplicada, inteligência artificial e tecnologias emergentes. A educação ocupa uma posição central nessa estratégia.

Mas há também uma ambição que ultrapassa as paredes do Órbi. Instalado na Lagoinha, região central de Belo Horizonte, vem articulando a ideia da Montanha Digital: transformar o território em um polo de tecnologia, educação e economia criativa, conectando desenvolvimento econômico, cultura e impacto social.

“O princípio é semelhante ao que a história de Santa Rita nos ensina: tecnologia sozinha não transforma uma cidade. São as pessoas que fazem isso. Para que a inovação produza desenvolvimento, é necessário formar talentos, conectar empresas, universidades, governos e comunidades, criar oportunidades e permitir que quem vive no território participe dessa transformação”, destaca Francis.

A aproximação entre Órbi, HackTown e HackEdu reforça justamente essa visão: ecossistemas não são construídos isoladamente. São resultado de movimentos capazes de conectar educação, tecnologia, cultura, empresas e pessoas em torno de um território. "Transformar cidades pela inovação começa muito antes da tecnologia. Começa pela educação, pelas pessoas e pela capacidade de criar movimentos que permaneçam", comenta Francis.

Integrante do Órbi, Fred Maciel, o Negro F., estará presente nesta edição. “Estamos ocupando cada vez mais espaços. No HackTown, vamos levar a tecnologia social produzida nas favelas, por meio da arte, da cultura e do hip-hop, por pessoas negras e periféricas, para um lugar onde se discute tecnologia. É a tecnologia ancestral saindo da teoria e mostrando, na prática, como pessoas pobres e faveladas produzem inovação e impactam as transformações do país”, afirma.

Entre os painelistas, também estarão presentes Christiano Xavier, CEO do Órbi; Sabrina Oliveira, diretora da educação do Órbi; Gabriel Ferreira, CEO da Coodesh; Mariana Yazbeck, gerente do Fiemg Lab; André Maciel (Gabiru), facilitador de diálogos; e outros atores do ecossistema para falar de IA, território e empreendedorismo tecnológico.

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O Órbi ICT é um hub de soluções tecnológicas, educação e impacto social fundado em Belo Horizonte por Inter, MRV&Co e Localiza&Co e mantém uma coluna publicada semanalmente às terças-feiras no portal da Itatiaia.

 

 

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