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Se o dinheiro está caro, por que continuar pagando tudo com ele?

Preservar caixa não significa simplesmente gastar menos ou deixar de investir. Significa escolher melhor onde o dinheiro será usado

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Nos últimos dias, algumas notícias chamaram minha atenção. A Braskem iniciou uma recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 56 bilhões em dívidas. O Grupo Gennius, controlador de marcas como Habib’s e Ragazzo, entrou em recuperação judicial com dívida declarada de R$ 265 milhões.

São empresas diferentes, com problemas diferentes. Seria simplista colocar tudo na conta de uma única causa. Mas existe um personagem que aparece cada vez mais nessas histórias: o custo do dinheiro.

E isso deveria chamar a atenção de qualquer empresário.

Com a Selic em 14% ao ano, dinheiro custa caro. Muito caro. E quando isso acontece, não basta mais perguntar se a empresa tem dinheiro para fazer determinada compra. Existe uma pergunta anterior:

Eu realmente preciso usar dinheiro para pagar isso?

Preservar caixa não significa simplesmente gastar menos ou deixar de investir. Significa escolher melhor onde o dinheiro será usado.

Imagine uma empresa que precise investir R$ 100 mil em marketing. Ela pode tirar esse valor do caixa, antecipar recebíveis ou buscar crédito. Em todas essas alternativas existe um custo, seja em juros, seja no dinheiro que deixa de estar disponível para folha, impostos, fornecedores, expansão ou uma oportunidade futura.

Agora imagine que essa mesma empresa tenha capacidade ociosa para entregar R$ 100 mil em seus produtos ou serviços sem aumentar significativamente sua estrutura.

A equipe já existe. O aluguel já está sendo pago. Os equipamentos já foram comprados. A estrutura está montada. Existe capacidade disponível que, se não for utilizada, simplesmente se perde.

É aqui que a permuta multilateral ganha uma dimensão muito maior do que simplesmente trocar.

Uma empresa pode vender para uma empresa e comprar de outra. A troca não precisa acontecer entre as mesmas empresas, no mesmo momento ou na mesma intensidade. Assim, capacidade ociosa pode ser transformada em poder de compra.

Se aquela empresa consegue utilizar parte dessa capacidade para gerar créditos e pagar o investimento em marketing, algo importante aconteceu: o investimento foi realizado, mas o dinheiro permaneceu no caixa.

E, no cenário atual, isso vale muito.

Ainda administramos nossas empresas como se dinheiro fosse a única moeda disponível. Não é.

Uma empresa possui estoque, horas disponíveis, estrutura, conhecimento, mídia, serviços e capacidade produtiva. Recursos que muitas vezes estão subutilizados e que podem ser transformados em capacidade de compra.

Por isso, talvez a pergunta não seja mais se uma empresa "faz ou não faz permuta".

A pergunta deveria ser:

Qual é a moeda mais inteligente para pagar cada despesa?

Existem compromissos que precisam ser pagos em dinheiro. Folha, impostos, determinadas obrigações e fornecedores. Justamente por isso o caixa precisa ser protegido.

O erro é gastar dinheiro onde existe outra alternativa e, depois, recorrer ao banco quando ele fizer falta.

Capacidade ociosa tem uma característica cruel: ela vence.

Um quarto de hotel vazio ontem não pode ser vendido hoje. Uma mesa vazia não volta. Uma hora não faturada de uma equipe não pode ser guardada para o próximo mês.
Dinheiro pode ser preservado. Capacidade ociosa, não.

Talvez uma das melhores decisões financeiras em um ambiente de juros altos não seja conseguir dinheiro mais barato.
Talvez seja precisar menos dele.

Porque, quando o dinheiro fica caro demais para ser usado em tudo, inteligência financeira também significa descobrir onde ele não precisa ser usado.

Por

Antonio Bortoletto, especialista em Permuta Multilateral e Franchising, sócio do Clube de Permuta e Diretor Regional da Associação Brasileira de Franchising. Com mais de 20 anos de experiência no setor de vendas e comunicação, Bortoletto compartilhará os benefícios, história e tendências do franchising e da Permuta multilateral.

 

 

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