Hepatite A: veja como inflamação no fígado é transmitida e sobre tratamento

Os casos de hepatite A vem aumentando a cada ano. Autoridades de saúde informam uma mudança no perfil de pacientes contaminados. O que antes preocupava por ser uma doença da primeira infância, atualmente se apresenta como uma infecção mais frequente entre homens adultos.
A inflamação do fígado, denominada hepatite, ocorre por diversas causas: vírus, como os das hepatites A,B,C,D,E; alguns remédios; álcool; drogas; doenças autoimunes (em que anticorpos atacam o próprio corpo) e genéticas.
De assintomática à fulminante
A doença causada pelo vírus da hepatite A pode não expressar sintomas. Em outros casos, apresenta-se com sinais intensos, podendo levar à hospitalização e, raramente, à morte. Diferentemente das infecções por hepatites B e C; a pelo tipo A não se torna crônica.
O risco de morte é de 0,6% na população geral, mas sobe para 1,8%, entre os maiores de 50 anos. Eventualmente, a infecção tem evolução arrastada por cerca de seis meses. Raramente pode evoluir para a forma fulminante, com necessidade de transplante de fígado.
Como desconfiar?
Os primeiros sintomas aparecem subitamente e são inespecíficos, não permitindo o diagnóstico. Pode haver mal-estar, sensação de corpo ruim, desconforto à dor abdominal, fadiga, vontade de vomitar, dor muscular e perda de apetite. Em seguida, surgem sinais que fazem pensar em doença do fígado e vias biliares, como urina escura, fezes esbranquiçadas, pele amarelada e esclera (parte branca) do olho bastante amarela.
Quando solicitados exames, há alteração nas enzimas do fígado: TGP/ALT (quase 100 vezes) e TGO/AST; bilirrubinas, principalmente a total e fração direta. Um exame simples de sorologia, chamado anti-HAV IgM, confirma o diagnóstico.
Como se pega hepatite A?
O vírus é encontrado nas fezes, sendo disseminado por via fecal-oral. Água e alimentos contaminados; transmissão por contato pessoal, pelo aperto de mãos não lavadas; compartilhamento de talheres, são algumas das formas de se adquirir a doença.
Crianças pequenas aglomeradas em escolas eram os alvos principais. Entre os adultos, os riscos se dão em reuniões e encontros; além de visitas a praias e a lugarejos com condições precárias de saneamento básico.
Nos últimos dois anos, entretanto, as autoridades de saúde têm percebido o aumento de outra forma de contágio. A via sexual, especialmente entre homens que fazem sexo com homens, e o compartilhamento de drogas ilícitas têm chamado a atenção como forma de contágio.
Surtos em 2024 e 2025, em Belo Horizonte e outras capitais, estiveram associados à transmissão sexual (oral-anal ou digital-anal), especialmente entre homens de 20 a 40 anos (que representou 80% dos casos).
Vacina como forma de prevenção
A vacinação gratuita contra hepatite A para crianças menores de 5 anos foi disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde, desde 2014. Essa medida vem reduzindo, drasticamente, o número de casos infantis.
No ano passado, o Ministério da Saúde, ampliou a vacinação, de forma definitiva, para usuários da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV, contactantes sexuais e domiciliares de casos confirmados.
Outros grupos contemplados:
- Indivíduos com hepatites crônicas B e C;
- Coagulopatas;
- Pessoas vivendo com HIV;
- Portadores de quaisquer doenças imunossupressoras, doenças de depósito, fibrose cística, trissomias;
- Candidatos a transplante de órgãos;
- Doadores de órgãos, cadastrados em programas de transplantes;
- Pessoas com hemoglobinopatias;
- Indivíduos que tiveram contato com infectados com hepatite A e forem convocados pela PBH.
Outras formas de prevenção são a higienização das mãos e dos alimentos e o uso de preservativos.
Tratamento
Não há uma medicação específica. Deve-se fazer dieta e repouso. A evolução e cura se dão em algumas semanas. Cuidados especiais, como separar utensílios de uso doméstico e de higiene pessoal devem ser tomados, durante o período de transmissão.
Quem teve hepatite A deve focar em uma alimentação leve, natural e de fácil digestão para auxiliar a recuperação do fígado. Priorize frutas, legumes, verduras, proteínas magras, como frango e peixe, além de carboidratos integrais.
Evite álcool, gorduras, frituras, embutidos e alimentos industrializados.
Mantenha-se muito bem hidratado e faça refeições menores e mais frequentes.
Hepatite A em Belo Horizonte
- 2023: 8 casos confirmados
- 2024: 179 casos
- 2025: 273 casos confirmados entre janeiro e agosto
Fabiana de Lemos é jornalista e médica. Membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Trabalhou no Caderno Gerais do Jornal Estado de Minas, de 1997 a 2003. Foi concursada da Prefeitura de Belo Horizonte e atuou como médica no SUS, de 2012 a 2018. Foi professora de Medicina pelo UniBH, até 2023. Atualmente, atende em consultório.
