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Vitória democrata terá desdobramentos para o Brasil

Resultado não anula o tarifaço, mas cria ambiente mais favorável para conversas bilaterais, pela possibilidade de negociação com diferentes centros de poder. Do ponto de vista político, democratas tendem a abrir procedimentos formais de investigação sobre eventual interferência de Donald Trump e da Meta nas eleições brasileiras, assim como a acolhida ao senador Flávio Bolsonaro

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O presidente Donald Trump no Lincoln Memorial
O presidente Donald Trump no Lincoln Memorial • MANDEL NGAN / AFP

A contundente vitória democrata reordena o jogo de forças na política americana: freado por um Congresso de oposição, Donald Trump terá menor capacidade de impor unilateralmente as suas políticas. O presidente norte-americano passa a ser visto como um pato manco, expressão para designar a perda de poder.

Tal resultado eleitoral tende a produzir efeitos diplomáticos e comerciais sobre o Brasil. Do ponto de vista comercial, embora a vitória democrata não enterre automaticamente o tarifaço imposto por Trump ao Brasil, vai criar um ambiente mais favorável para conversas bilaterais, pela possibilidade de negociação agora com diferentes centros de poder dentro dos EUA.

O governo Lula aguardava esses resultados antes de retomar as conversas sobre o tarifaço. Os democratas são mais alinhados ao governo Lula do que os republicanos. O controle democrata no Congresso pode reduzir a chance de novos atos hostis de Trump sobre o Brasil.

Do ponto de vista político, os democratas já vinham questionando a atuação de Trump e da Meta nas eleições brasileiras, no contexto da chamada doutrina “Donroe”, - trocadilho cunhado pela imprensa em referência à Doutrina Monroe, de interferência em eleições na América Latina. Agora, tais questionamentos poderão ganhar procedimentos formais de investigação no Congresso, assim como a acolhida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), logo após a sua derrota eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais.

Vinte e cinco democratas chegaram a publicar uma carta pedindo explicações ao secretário de Estado, Marco Rubio, pelo desembarque do senador naquele país.

A vitória democrata para a Câmara e Senado nos Estados Unidos era esperada. Foi a resposta das urnas à impopularidade de Donald Trump, provocada por uma política externa e comercial, que elevou o custo de vida do cidadão. O ataque ao Irã subiu os preços do diesel, gasolina e fertilizantes. As sucessivas restrições e sobretaxas comerciais impostas contra as importações, que, no caso brasileiro, culminaram em tarifaço de 37,5% acumulados, impactaram a cadeia de suprimentos naquele país.

As deportações em massa de imigrantes reduziram a disponibilidade de mão de obra, elevaram preços e mudaram a direção do voto latino em relação à eleição presidencial que deu a Trump novo mandato. Ampliaram-se os protestos e denúncias contra arbitrariedades e violações de direitos civis cometidos pelo ICE, polícia migratória dos Estados Unidos. A guerra comercial de Trump com aliados históricos, como o Canadá, afetou as indústrias, principalmente automobilistas, sediadas em Michigan, na fronteira com Ontario.

Michigan elegeu Abdul El-Sayed, o primeiro senador muçulmano da história americana. Mais um democrata. As eleições chamadas de “mid-terms”, ocorrem no meio do mandato presidencial para a renovação de pouco mais de um terço do Senado e todas as cadeiras da Câmara dos Deputados. Tradicionalmente, o partido do presidente tem perdido esse pleito pelo desgaste natural de toda a gestão. Mas, desta vez, a eleição teve o gosto político de um plebiscito em relação ao governo Trump: 2026 se junta às eleições de 1946 e de 1994, tornando-se a terceira vez no último século em que o controle das duas casas legislativas mudou simultaneamente de partido nas eleições de meio de mandato.

 

 

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