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Quais são as consequências políticas da decisão de Moraes?

O Supremo volta ao centro da campanha política, tirando o foco de uma sucessão de más notícias que atingiram Flávio Bolsonaro, desde a divulgação dos áudios a Vorcaro

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Alexandre de Moraes
Alexandre de Moraes • Carlos Moura/SCO/STF.

Ao ler a carta do pai pelas redes sociais, neste sábado, 11 de julho, em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirma o filho primogênito como o seu porta-voz e seu candidato à presidência da República, pai e filho correram alguns riscos. Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado em prisão domiciliar humanitária.

Está sujeito a uma série de restrições, entre elas a proibição de utilizar redes sociais, seja diretamente ou por intermédio de terceiros. Moraes entendeu que houve violação da restrição imposta ao ex-presidente e afirmou que Flávio Bolsonaro utilizou o direito de visita para finalidade diversa daquela autorizada pela Justiça: suspendeu por 90 dias a autorização de visitas, período que coincide com o primeiro turno das eleições.

Do ponto de vista jurídico, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro considerou a decisão abusiva e vai recorrer ao Supremo, para tentar derrubar a decisão de Moraes.

Politicamente, a carta do pai para o filho foi divulgada dias depois de Michelle Bolsonaro vir a público denunciar que Flávio Bolsonaro a maltratou e humilhou. Michelle deixou claro que falava com o apoio de seu marido. A carta de Bolsonaro para Flávio teve o propósito de desmentir a esposa e madrasta. Bolsonaro, “o dono dos votos”, conforme define Valdemar da Costa Neto, apontou Flávio como seu porta-voz. Agora, ao ficar impedida de visitar o pai, Michelle seguirá sendo a pessoa que mantém interlocução permanente com Bolsonaro. Mas não poderá se apresentar como a sua porta-voz.

A decisão de Moraes teve, para aliados bolsonaristas, dois aspectos positivos. O primeiro: Flávio passa a ter autonomia para tomar as decisões das alianças nacionais e palanques nos estados. Recentemente, Republicanos e a Federação União Progressista anunciaram neutralidade no pleito presidencial. Foi um revés para o palanque de Flávio. Há um segundo aspecto político positivo avaliado por aliados bolsonaristas: desde os áudios de Flávio a Daniel Vorcaro, o pré-candidato vinha ao centro de uma maré de más notícias. Agora o Supremo volta ao centro do debate, com Flávio apontando perseguição.

O aspecto negativo da proibição, contudo, está relacionado à legitimidade de Flávio Bolsonaro para representar o guarda-chuva de segmentos agregados sob o bolsonarismo. Michelle, que acaba de lançar o movimento “imparáveis”, seguirá como a principal interlocutora junto aos segmentos evangélicos e de mulheres.

O copo está meio vazio ou meio cheio? Sempre dependerá da perspectiva.