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A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro será pacificada?

Ala bolsonarista “raiz” ligada ao pré-candidato à Presidência e a Eduardo Bolsonaro, quer o apoio dela na sucessão presidencial, mas vê na ex-primeira-dama ameaça, que disputa o domínio do campo bolsonarista

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Michelle Bolsonaro expôs atrito com Flávio Bolsonaro em vídeo publicado nessa quarta (24) • Reprodução/Instagram/@michellebolsonaro

Após longa conversa com Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, nesta terça-feira, 30 de junho, Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher. Ela ameaça não disputar o Senado, o que é percebido pela ala “bolsonarista raiz” do partido como um blefe. A ex-primeira-dama vem construindo o seu próprio grupo político, apadrinhando candidaturas e parlamentares em todo o país. Esse movimento causa desconforto junto aos demais deputados do PL que disputam a reeleição.

Michelle Bolsonaro domina a gramática da Bíblia, o que a torna a principal conexão da família Bolsonaro com o público evangélico. Esse é um voto percebido como orgânico e mais inclinado a acompanhar a indicação da “liderança”. Por isso, os candidatos que não foram “escolhidos” por Michelle se sentem em desvantagem nesta eleição.

Michelle Bolsonaro atua, em particular, junto às mulheres – segmento mais resistente ao bolsonarismo por perceber um comportamento de viés machista. Ela estimula que as mulheres participem da política, mas, ao mesmo tempo, reforça a ideia da submissão feminina ao patriarca da família. Por isso, todas as decisões que Michelle anuncia são apresentadas como se estivesse seguindo a orientação de Jair Bolsonaro. Nesse sentido, a atuação da ex-primeira-dama é classificada por aliados de Flávio como uma espécie de “submissão empoderada”: ela disputa o poder dentro do partido com Flávio, como se estivesse cumprindo uma missão do “líder”.

Os aliados de Flávio e Eduardo Bolsonaro, que se consideram “autênticos”, percebem no discurso e nas ações de Michelle uma estratégia política para assumir o controle do campo bolsonarista em 2030, caso Flávio perca a eleição presidencial.

Depois da divulgação dos vídeos de 27 minutos antes do jogo do Brasil contra a Escócia, em que Michelle denuncia ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro, ela continuou a ser atacada por perfis que são identificados como ligados ao núcleo duro de Eduardo Bolsonaro, em particular Paulo Figueiredo, que se apresentou como porta-voz de Flávio Bolsonaro durante sua viagem aos EUA. Em resposta aos vídeos da ex-primeira-dama, Paulo Figueiredo disse que Michelle e a senadora Damares Alves seriam “feministas” e que “mulher vota estatisticamente muito mal”.

Embora concordem com essa avaliação, que permeia a perspectiva em voga junto a certos setores dos Estados Unidos que pregam o “voto da família” em detrimento do voto individual, alguns bolsonaristas no entorno de Flávio Bolsonaro avaliaram que Paulo Figueiredo errou ao expressá-la. Paulo Figueiredo também insinuou ter informações comprometedoras sobre a relação da ex-primeira-dama com Jair Bolsonaro.

Pouco antes do jogo do Brasil com o Japão, Michelle respondeu em formato cifrado: republicou um vídeo divulgado pelo ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, de suposta festa promovida por Daniel Vocaro, denominada a “noite das astronautas”. Dela teriam participado "deputados, senadores e governadores, homens que defendem a família". Michelle acrescentou ao vídeo a legenda "a verdade de Jesus Cristo vai prevalecer". Deixou no ar a insinuação de que pode ter informações que até aqui não usou. É briga que segue, mas, até um certo ponto. Pelo momento, Michelle e Flávio Bolsonaro medem forças e, no médio prazo,muitoso bombeiros vão entrar em campo para, pelo menos, adiar para depois das eleições o confronto, que é inevitável.