Belo Horizonte
Itatiaia

IA brasileira devolve voz e carreira a médica com ELA no Dia Nacional de Luta Contra a doença

Tecnologia inédita desenvolvida permite que pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica continuem trabalhando mesmo após perda total dos movimentos

Por
Maria Inês Quintana, médica diagnosticada com ELA há quase três anos é uma das maiores especialistas brasileiras em transtorno de personalidade Borderline. • Reprodução/Instagram

No próximo 21 de junho, domingo, é celebrado o  Dia Nacional de Luta Contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Um projeto inédito brasileiro batizado de ExtensIA, desenvolvido pela Fundação/Faculdade Unimed e WorkIA, chama atenção por unir inteligência artificial e medicina para devolver autonomia profissional a pacientes com a doença. 

O primeiro estudo de caso do projeto é o da psiquiatra Maria Inês Quintana, uma das maiores especialistas brasileiras em transtorno de personalidade borderline. Diagnosticada com ELA há quase três anos, ela perdeu completamente a mobilidade do corpo, mas continua cognitivamente ativa. Com o apoio da tecnologia, ela retomou suas atividades profissionais.

A tecnologia permite que sua carreira acadêmica e clínica não seja interrompida pela progressão da doença. Professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, Maria Inês precisou buscar alternativas para continuar se comunicando e exercendo sua profissão.

Atualmente, utiliza tecnologias assistivas como o Tobii Communicator, que permite a digitação por meio do movimento dos olhos.

O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?

A Esclerose Lateral Amiotrófica é uma doença neurodegenerativa progressiva que provoca a perda dos neurônios motores responsáveis pelos movimentos voluntários.

Com a evolução do quadro, os pacientes podem perder a capacidade de caminhar, falar, engolir e respirar de forma independente.

Apesar dos severos impactos físicos, a capacidade intelectual permanece preservada na maioria dos casos, criando um cenário desafiador: pessoas altamente qualificadas e produtivas tornam-se incapazes de exercer suas profissões por limitações motoras.

 

Como funciona o sistema ExtensIA?

O sistema com tecnologia desenvolvida pela empresa WorkAI é estruturado em três frentes complementares, que combinam ciência médica, engenharia de dados e inteligência artificial de alta complexidade.

A primeira é o Agente Clínico Assistivo, um conjunto de IAs treinadas com todo o acervo intelectual acumulado por Maria Inês ao longo de mais de 30 anos de atuação. 

A segunda frente é o Avatar Digital Palestrante, já em operação. Desenvolvido a partir da imagem e da voz originais da psiquiatra, o avatar é capaz de ministrar aulas e palestras, de maneira assíncrona, em português, inglês e espanhol. 

A terceira frente do projeto é o Sistema Multiagente Coordenador, que será integrado aos sistemas educacionais da Faculdade Unimed. Um conjunto de agentes de IA será responsável por tarefas como a organização de grades curriculares, análise de ementas e apoio à gestão acadêmica.

Qual o futuro do ExtensIA?

A expectativa é que a tecnologia seja futuramente expandida para outros pacientes com limitações motoras severas, mas com cognição preservada.

Segundo os responsáveis pela iniciativa, o objetivo vai além de preservar o conhecimento da médica e busca ampliar o acesso a especialistas em saúde mental, área em que o déficit de profissionais é considerado crítico pela Organização Mundial da Saúde.

Por

Lorena Vieira é estagiária do Portal Itatiaia e estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Minas Gerais. Com experiências diversas, já trabalhou como repórter, produtora e apresentadora de coluna semanal no programa Agenda, da Rede Minas. Além de outras experiências como social media e comunicação de projetos culturais.