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Acessar redes sociais antes dos 14 anos pode afetar desempenho escolar, aponta estudo

Pesquisa com mais de 5 mil estudantes aponta que criar uma conta entre 11 e 13 anos pode estar associado a resultados mais baixos em matemática e língua, com diferença equivalente a cerca de meio ano de aprendizagem

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Magnific

Criar uma conta pessoal em redes sociais antes dos 14 anos pode estar relacionado a um pior desempenho escolar. É o que aponta um estudo realizado com 5.227 estudantes do norte da Itália, que acompanhou a trajetória acadêmica dos jovens e identificou diferenças principalmente nas áreas de matemática e língua italiana.

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Human Behaviour e analisou estudantes nascidos em 2007 e 2008, matriculados em escolas das províncias de Brescia, Cremona, Mantua, Milão e Monza e Brianza, na região da Lombardia.

Os pesquisadores compararam alunos que começaram a utilizar redes sociais entre o sexto e o oitavo ano com aqueles que esperaram até o nono ano ou mais. Na Itália, 14 anos é a idade mínima estabelecida para o acesso autônomo às plataformas.

Diferença pode ser grande

Segundo os resultados, os estudantes que criaram suas primeiras contas entre 11 e 13 anos apresentaram desempenho inferior em matemática e língua italiana. A diferença, de acordo com os pesquisadores, equivale a aproximadamente meio ano de aprendizagem.

O efeito foi mais evidente entre os jovens que começaram a usar redes sociais ainda no sexto ano. Nesse grupo, a diferença chegou a 0,27 desvio padrão em matemática e 0,22 em língua italiana, quando comparados aos estudantes que esperaram até o nono ano.

O impacto também permaneceu nos anos seguintes. No oitavo ano, por exemplo, aqueles que haviam começado a utilizar redes sociais no sexto ano apresentavam diferenças de 0,18 em matemática e 0,22 em italiano.

Os pesquisadores observaram ainda que, quanto mais cedo ocorria a entrada nas redes sociais, maior tendia a ser a perda posterior no desempenho escolar.

Giovanni Abbiati, um dos responsáveis pelo trabalho, afirmou que “a perda provocada pela abertura de uma conta em redes sociais no sexto ano representa cerca de 30% da maior diferença social educacional observada na Itália”.

Celular é parte importante do problema

A pesquisa também procurou entender o que poderia explicar a associação entre o início precoce nas redes sociais e os resultados escolares.

Um dos fatores identificados foi o uso mais intenso e invasivo do celular em momentos importantes do dia, como antes de dormir, logo após acordar e durante a realização das tarefas escolares.

Em vez de considerar apenas a quantidade de horas diante da tela, os pesquisadores utilizaram uma escala para avaliar a chamada "pervasividade do smartphone", conceito que considera o quanto o aparelho passa a ocupar diferentes momentos da rotina.

De acordo com o estudo, esse fator explicou uma parcela significativa da diferença observada no desempenho acadêmico. A influência foi maior em matemática, mas também apareceu nos resultados de língua italiana.

Redes sociais chegaram cedo

Os dados mostram como o acesso às redes sociais já fazia parte da rotina de muitos adolescentes italianos.

Ao final do ensino fundamental, 98% dos estudantes analisados tinham um celular. Quase metade, 47%, havia recebido o primeiro aparelho com acesso à internet ainda no sexto ano.

A criação de contas nas redes também ocorreu, em muitos casos, antes da idade prevista pela legislação italiana. Cerca de 11,2% dos participantes afirmaram ter criado um perfil ainda no ensino fundamental inicial. Outros 29,5% fizeram isso no sexto ano, 25% no sétimo e 18% no oitavo.

Apenas 16,3% esperaram até o nono ano.

Inglês não foi muito afetado

Apesar dos resultados negativos em matemática e língua italiana, o estudo não identificou uma queda semelhante no aprendizado de inglês.

Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que isso esteja relacionado à exposição frequente ao idioma nas próprias redes sociais e em outros conteúdos digitais.

Também não foram encontradas diferenças importantes em determinadas avaliações de leitura e compreensão oral.

O trabalho ainda analisou fatores como estrutura familiar e escolaridade dos pais. Os pesquisadores observaram que os estudantes que começaram mais cedo nas redes sociais, em geral, já apresentavam algumas diferenças sociais e acadêmicas antes da análise.

Mais educação digital

Os autores ressaltam que os resultados precisam ser interpretados levando em conta o contexto específico do norte da Itália e da Europa Ocidental. Por isso, ainda são necessárias novas pesquisas para verificar se os mesmos efeitos aparecem em outros países e em diferentes grupos sociais.

O estudo também apresenta limitações, já que não foi possível controlar todos os fatores que poderiam influenciar os resultados. Além disso, não foram incluídos dados sobre abandono escolar e jovens que estavam fora do sistema de ensino.

Mesmo assim, os pesquisadores consideram que os resultados reforçam a importância de discutir a idade de entrada nas redes sociais e a maneira como os adolescentes utilizam os celulares.

“Os nossos resultados apoiam a ideia de que atrasar o acesso pode ser benéfico. A exposição precoce e acumulada às redes sociais por meio do smartphone impacta de forma mensurável e persistente a aprendizagem”, afirmaram os autores.

A pesquisa aponta ainda que, além de considerar o adiamento da criação de contas, famílias e escolas podem ter um papel importante na alfabetização digital, ajudando crianças e adolescentes a compreender melhor os efeitos do uso contínuo dos dispositivos e a fazer escolhas mais conscientes no ambiente virtual.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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