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Brasil chega a 36,6% de cobertura em creches e fica abaixo da meta do PNE

O índice, embora superior aos 30,7% registrados em 2022, permanece significativamente distante da meta de 50% estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE)

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Abraão Bruck / CMBH.

O Brasil avançou de forma lenta no acesso à educação infantil nos últimos anos e encerra o ciclo do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024 sem atingir a meta de universalização para metade das famílias com crianças de até 3 anos. Segundo dados inéditos do Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2026, a frequência de crianças nessa faixa etária em creches atingiu 36,6% em 2025.

O índice, embora superior aos 30,7% registrados em 2022, permanece significativamente distante da meta de 50% estabelecida pelo PNE. Os dados integram a quarta edição do relatório produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) para o Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, divulgado nesta quarta-feira (12).

O material revela que a insuficiência de vagas em creches é um dos principais entraves estruturais para a igualdade de gênero e raça no país, impactando diretamente a inserção das mulheres no mercado de trabalho.

Abismos regionais e raciais

A média nacional de acesso esconde disparidades profundas entre os territórios brasileiros. Enquanto as regiões Sul (45,4%) e Sudeste (43,8%) se aproximam da meta do PNE, o Norte apresenta um cenário crítico, com apenas 18,8% das crianças em creches — índice que permaneceu estável em relação ao ano anterior. No Nordeste, a cobertura é de 30,2%.

A desigualdade racial também estrutura o acesso. Em 2025, a proporção de crianças negras em creches era de 34,5%, enquanto, entre as não negras, o índice chegava a 39,0%. Embora ambos os grupos tenham apresentado crescimento desde 2022, o hiato racial persiste, dificultando a trajetória educacional de bebês negros desde a primeira infância.

A falta de uma rede pública de cuidados robusta tem consequências econômicas diretas para as famílias brasileiras. De acordo com o relatório, 87% das mulheres com filhos de zero a três anos que estão fora da força de trabalho declaram não buscar emprego devido às responsabilidades de cuidado.

No total, o Brasil possui cerca de 43 milhões de mulheres fora do mercado de trabalho, sendo que 31% delas apontam o trabalho doméstico e de cuidados como o motivo principal. Essa sobrecarga gera uma “pobreza de tempo”, especialmente entre mulheres negras, que dedicam, em média, 21,3 horas semanais a tarefas não remuneradas — quase o dobro do tempo despendido pelos homens. “O ingresso na creche impacta positivamente a rotina das famílias, uma vez que a regularidade do horário escolar permite o exercício de atividades remuneradas”, destaca o documento.

Entre as proposições para reverter esse quadro, o relatório destaca a necessidade de consolidar o Plano Nacional de Cuidados — Brasil que Cuida, regulamentado em 2025, que busca reconhecer o cuidado como um direito e redistribuir essa responsabilidade entre Estado, sociedade e famílias.

A nova meta em discussão para o próximo PNE (2026-2036) é elevar o percentual de frequência em creches para 60% até 2036, o que exigirá um esforço coordenado para acelerar o ritmo de abertura de vagas, especialmente nas regiões mais vulneráveis do país.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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