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Gemini: Google lança nova ferramenta de IA que desafia Chat GPT; entenda disputa

A empresa busca superar a popularidade do Chat GPT, da Open IA, e dominar o mercado de ferramentas de inteligência artificial

O Google lançou no Brasil, nesta quinta-feira (8), o Gemini: a nova versão da sua ferramenta de inteligência artificial (IA) que substitui o Bard, abrindo um leque de novas funcionalidades. A gigante de tecnologia busca superar a popularidade do Chat GPT, desenvolvido pela concorrente Open IA.

O lançamento foi anunciado em dezembro de 2023 e seu nome é uma referência à mitologia grega dos gêmeos “Castor e Pollux”, simbolizando a união entre a máquina e o humano.

O Google afirma que o Gemini é ideal para tarefas que exigem mais criatividade e flexibilidade devido a maior capacidade de processamento de dados, sendo considerado o maior projeto de IA desenvolvido pela empresa.

Em comparação com o Chat GPT, que se concentra em linguagem de texto, o Gemini é mais amplo, com a capacidade de processar e gerar textos, áudio, códigos e imagens.

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A plataforma gratuita também possui interface com o YouTube, sendo possível pesquisar e extrair informações dos vídeos, como autor, visuzaliazação, históricos, etc. Mas não é capaz de produzir imagens ou editar vídeo, por exemplo.

A nova ferramenta possui uma base de dados atualizada em tempo real, ao contrário da versão gratuita da plataforma da Open IA, que tem informações limitadas até 2022. Portanto, a quantidade de dados utilizados é muito maior em comparação com a concorrente.

A forma de treinamento e processamento dos dados entre o Gemini e Chat GPT também é significativamente diferente.

O Google confessa que seu modelo é melhor para fornecer “informações precisas e imparciais”, enquanto o ChatGPT é mais eficiente “para gerar textos criativos e envolventes”.

No futuro, a empresa promete converter texto em aúdio e editar conteúdos multimída de maneira autonôma.

A introdução o do Gemini inclui o lançamento do robô em aplicativos para smartphones Android e iOS.

A novidade levanta discussões sobre concorrência, riscos, ética e regulamatação da inteligência artifical - que, apesar de recente, está cada vez mais presente no dia a dia da população.

Google vs Chat GPT

O professor Carlos D’Andrea, do Dep. de Comunicação Social na UFMG, especialista em plataformas e algoritmos, acredita que o Gemini representa uma nova etapa na intensa concorrência das empresas de tecnologia, que são cada vez mais poderosas.

Ele lembra que a disputa envolve o Google e a Microsoft - dona de 49% da Open IA, que controla o Chat GPT.

“A Microsoft é uma empresa que durante algum tempo ficou deslocada das frentes mais acirradas de concorrência (entre as Big Techs) e voltou com muita força no ano passado (com a popularização do Chat GPT), inclusive em termos de valorização de mercado”, disse o professor Carlos D’Andrea em entrevista à Itatiaia.

Com doações do bilionário Elon Musk e do CEO Sam Altman, a Open IA foi fundanda como uma empresa sem fins licrativos em 2017 que, segundo eles, tinha como “objetivo o desenvolvimento seguro e responsável da inteligência artificial”

Em 2019, A Microsoft investiu US$ 1 bilhão para ajudar a empresa a desenvolver as tecnologias, tornando-se a sua maoir acionista. O Chat GPT foi lançado em novembro de 2022. No ano seguinte, o investimento da Micrsoft aumento 10x, alcaçando US$ 10 bilhões (R$ 52,6 bilhões).

Em novembro de 2023, o CEO da Open IA, Sam Altman, anunciou que o ChatGPT atingiu a marca de 100 milhões de usuários semanais.

Hoje (8), a OpenAI é uma organização híbrida que atua como uma empresa sem fins lucrativos, mas também gera receita através da venda de produtos e serviços.

O Chat GPT é um mdelo de linguagem que é usado, basicamente, para fornecer informações, responder perguntas e interpretar dados.

Ele pode ser usado para resumir textos, traduzir idiomas, compor letras, propor ideais, revisão de artigos e pesquisar informaçãoes. Nada que, agora, Gemini também não faça.

Ação e reação

Maior empresa do mercado de tecnologia, o Google reagiu à ameaça do novo modelo de inteligência artificial e começou a desenvolver sua própria ferramenta para combater a concorrência.

“O Google deu impressão que ia ficar para trás, com todo o burburinho e o impacto que o Chat GPT trouxe ao longo de 2023, mas já veio com uma resposta bastante efetiva pelo que tudo indica”, avalia D’Andrea, em referência ao lançamento do Gemini.

A nova tecnologia de IA começou a ser incorporada pela empresa no final de 2023 e, agora, está sendo lançada em diferentes países ao redor do mundo, substituindo o Bard - versão anterior ao Gemini.

“As empresas estão investindo nisso (modelos de linguagem de IA), porque essa é a nova forma de trabalhar e vender serviços com esse enorme volume de dados que elas vêm coletando há muito tempo”, descreve o professor, autor do livro “Pesquisando plataformas online: conceitos e métodos” (2020).

“Então, sem dúvida nenhuma, temos um um novo ‘round’ nessa disputa pelo mercado”, completa.

Quem vai ganhar?

Para Carlos D’Andrea, é difícil vislumbrar qual empresa vai vencer o duelo entre Gemini vs Chat GPT. Mas não subestima a capacidade do Google controlar o mercado de forma discreta.

“O Chat PT ocupou o mercado antes. Ele conseguiu ser a ferramenta de referência para muitas pessoas, mas o Google é uma empresa que está presente no nosso cotidiano o tempo inteiro, mesmo que a gente se esqueça disso”, ressalta o professor.

O Google foi fundado em 1998 e controla boa parte dos serviços de intenet, como o YouTube, G-mail, Drive, Maps, Meet, Fotos, Google News, dentre outros.

Além de ser o principal sistema de buscas da intert, D’Andrea lembra como o Google atua diretmente nos anúncios que são apresentados aos usuários e no sistema operacional dos celulares Android.

“Então a capacidade do Google fazer com que a inteligência artificial esteja no nosso cotidiano, sem a gente nem perceber, é muito grande”, destaca.

“É difícil dizer como esse mercado vai se desenrolar. Mas eu não subestimaria de modo algum a capacidade do Google colocar uma ferramenta potente, cuja adesão seria muito rápida”, acrescenta.

O Google anunciou que, em breve, os usuários poderão usar o Gemini em outros serviços da empresa, como Gmail e Meet.

Ética

O professor da UFMG lembra como, antes do lançamento do Chat GPT, a IA atuava em nosso dia a dia de forma indireta. É o caso das indicações de vídeos no YouTube ou de músicas no Spotify, baseada nos dados dos usuários.

Com o denvolvimento exponecial da tecnologia, ele vê um limite “delicado” entre a privacidade dos usuários e a ética das ferramentas, que são muitas vezes “discretas” na atualidade.

“É possível que isso (a inteligência artifical) esteja sendo usado em questões cotidianas que a gente não nota, como nas buscas (do Google), nos anúncios que são ofertados, no processamento de um conjunto de documentos no telefone, no computador. Então a presença desses modelos é muitas vezes silenciosa”, aponta Carlos D’Andrea.

O Chat GPT ofereceu ao público uma relação mais direta com a inteligência artificial, através do diálogo com um modelo de linguagem automatizada eficaz, ao contrário das versões anteriores desse tipo de tecnologia.

O professor acredita que o Google precisa estabelecer uma negociação com os usuários para determinar os limites dos dados disponibilizados para “alimentar” e “treinar” os modelos de IA, como o Gemini.

“No primeiro momento, a Google evita que os dados que estão no seu Drive, nos seus documentos, sejam utilizados para treinamento da inteligência artificial, até para serviços personalizados (voltados para o usuário)”, afirma.

Isso significa que o Gemini não tem acesso direto ao seu conteúdo pessoal e não o utiliza para gerar respostas de IA. O Google afirma que “prioriza a privacidade e a segurança dos dados dos seus usuários”.

Regulamentação

A regulamentação para o uso da IA vem sendo debatido em todo o mundo, principalmente em decorrência das eleições de 2024 que prometem o uso inédito da tecnologia nas campanhas.

As eleições municipais acontecem em todas as cidades brasileiras no dia 6 de outubro. As eleições presidenciais dos Estados Unidos ocorrem no dia 5 de novembro, com potencial de impacto em escala global.

“Acho que aí, talvez, a gente consiga ver como é que esses modelos serão usados e qual será a capacidade das empresas reagirem”, disse Carlos D’Andrea sobre o cenário que se aproxima.

No entanto, o professor tem receio de que a regulamentação da IA não seja capaz de afetar o avanço e o uso prejudicial da tecnologia.

“É inocente achar que uma legislação, que é fundamental, resolva os desafios de como mediar o uso dessa nova tecnologia de forma saudável, que é uma questão que transcende as barreiras de um país”, explica.

“Não é apenas uma regulamentação que vai resolver isso, tem questões bem mais profundas. São desafios a longo prazo, mas que (ao mesmo tempo) são imediatos e para os quais, eu diria, que ninguém tem a solução. É isso que está em plena discussão”, conclui D’Andrea.

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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