Nova Lima, uma cidade de paisagens deslumbrantes e história marcante, revela sua essência também por meio de sua rica gastronomia. Entre montanhas e ruas de traços coloniais, dois doces se destacam: a queca e a lamparina. Essas quitandas unem sabor, memória e o carinho de gerações que mantêm vivas suas tradições.
A tradição e o encanto por trás da queca
A origem da queca está diretamente ligada à chegada dos ingleses em Nova Lima, no século XIX. Vindos para trabalhar na exploração do ouro da Mina do Morro Velho, esses imigrantes trouxeram consigo o “Christmas Cake”, um bolo tradicionalmente preparado no Natal. Nas cozinhas mineiras, o nome inglês foi adaptado e “cake” virou “queca”.
Por trás da simplicidade do nome, está um doce de sabor complexo e cheio de história. A receita original ganhou o toque mineiro ao longo dos anos, com a incorporação de ingredientes como frutas cristalizadas, nozes e especiarias como canela e cravo. O toque final fica por conta de uma calda de açúcar queimado e conhaque, que intensificam os aromas e dão à queca sua coloração escura característica.
Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de Nova Lima desde 2012", o modo de se fazer a queca”, é uma riqueza que atravessa gerações. Em tempos passados, era comum o doce ser preparado como um presente especial durante as festividades natalinas. Cada família guardava sua versão da receita, e o ato de fazer a queca se tornava um momento de união. Com sua textura densa e sabor marcante, ela conquistou lugar cativo nas mesas nova-limenses e se tornou símbolo de identidade e afeto local.
Patrimônio imaterial cheio de cultura e sabor.
A lamparina, por sua vez, tem uma origem tão fascinante quanto o próprio nome. Conta-se que, em 1881, durante uma visita do imperador Dom Pedro II à região, uma pousada em Nova Lima criou uma versão mineira do pastel de Belém português. Esse doce, feito de massa folhada e recheado com coco, recebeu o nome de lamparina porque, em um gesto simbólico e prático, os hóspedes eram presenteados com o quitute enquanto uma pequena chama, como a de uma lamparina, iluminava o ambiente.
Outra história dá conta de que a lamparina foi criada por uma francesa, dona de uma pousada na região de Bela Fama, onde os viajantes paravam para descansar. Para impressionar seus hóspedes, ela servia um doce de coco em pequenas forminhas, usando um pavio aceso para iluminar o caminho dos viajantes. Assim, o doce se tornou sinônimo de hospitalidade e ganhou fama entre os tropeiros e visitantes da época.
Com o passar do tempo, a lamparina se consolidou como uma iguaria única de Nova Lima. Tombada como patrimônio imaterial em 2016, ela é um delicioso elo entre o passado e o presente. Feita com ingredientes simples, como coco ralado e massa folhada, a lamparina continua a encantar moradores e turistas, lembrando as histórias de quem a criou e as vivências de quem a preserva. Sua ligação com a cultura local a transformou num símbolo da criatividade e do acolhimento do povo nova-limense.
História e sabor em cada mordida
Ao visitar Nova Lima, não deixe de experimentar a queca e a lamparina, duas delícias que são uma verdadeira conexão com as histórias e tradições que moldaram a cidade. Cada mordida é um convite para mergulhar na rica cultura nova-limense, marcada pela mistura de influências estrangeiras e mineiras.
Seja pela densidade aromática da queca ou pela delicadeza da lamparina, Nova Lima mostra que sua gastronomia é um reflexo da alma de seu povo, cheia de sabor, afeto e história.
Para conhecer mais sobre estas histórias e outros atrativos imperdíveis de Nova Lima, assista à série ”Oncêvai em Nova Lima” no Instagram da Itatiaia.
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